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Brasília - O ensino da música
em todas as escolas públicas do ensino básico reacende
o debate sobre a necessidade de ampliação da grade
horária da rede pública de ensino.
A professora da
Faculdade de Educação da Universidade de Brasília
(UnB) Stella Bortoni defende que a medida é positiva, mas
precisa vir acompanhada de mudanças curriculares e
estruturais.
“É muito bom
que os currículos sejam enriquecidos com horários para
que as crianças possam ir à biblioteca, ouvir
histórias, trabalhar com teatro, fazer educação
física, todas essas atividades extracurriculares são
benéficas, mas é preciso que haja tempo suficiente e um
bom planejamento para conduzir tudo isso e as aulas tradicionais”,
avalia.
No Centro de Ensino
Fundamental 03 do Guará, no Distrito Federal, os alunos já
têm aula de canto e coral, teoria musical, percussão
corporal e banda marcial, mas as atividades ainda são
restritas aos alunos do turno vespertino, porque pela manhã
não há professor de música disponível.
O diretor da escola,
Jairo Peixoto, espera que a nova lei possa garantir a ampliação
do atendimento.
Além da falta de
docentes, a escola sofre com os problemas de infra-estrutura. As
aulas de banda marcial acontecem em uma sala improvisada, sem
isolamento acústico. Os ensaios atrapalham as outras aulas e
já receberam reclamação da vizinhança.
“A escola de línguas
aqui do lado já entrou até na Justiça para
acabar com as aulas”, conta Peixoto.
Além de
estruturas físicas adequadas para o desenvolvimento pleno das
atividade, Stella Bortoni defende o segundo turno em todas as escolas
como um ideal a ser perseguido.
“Essa é uma
preocupação que não pode ser descuidada. O
sistema a que pertence aquela escola precisa estar planejando para
aumentar uma hora ou duas horas por dia”, recomenda.
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