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Brasília - Projeto
que descriminaliza o aborto deverá ser votado nesta semana na Comissão de
Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. O PL
1.135/91 tramita na Câmara há 17 anos. A matéria pede a supressão no Código Penal do artigo que torna crime a prática de aborto.
O
relator do projeto na CCJ, deputado Eduardo
Cunha (PMDB-RJ), já informou que seu parecer é contra a
descriminalização. Na última
semana, uma audiência pública reuniu representantes do movimento
feminista, especialistas e religiosos para debater o tema.
Para a
representante da Rede Feminista de Saúde, Télia Negrão, a mulher deve
decidir sobre a continuidade da gravidez, já que arca com os
problemas que decorrerão de uma gravidez indesejada, principalmente se
há o risco de ser abandonada pela família e pelo pai da criança.
Também
favorável à descriminalização, o juiz de direito Roberto Arraiada
Loréa argumentou que a posição da Igreja de condenar e excomungar as
mulheres que fazem aborto não pode prevalecer num estado laico, que deve respeitar unicamente a Constituição Federal.
Contrário
ao projeto, o reverendo Silas Malafaia, da Igreja Assembléia de Deus,
afirmou que a vida começa no momento da concepção. O religioso disse
que a mulher não pode ter o direito de interromper a gravidez porque isso
seria um assassinato.
Outra que
também é contrária ao projeto, a ex-senadora pelo P-SOL Heloisa
Helena, defendeu que a mulher tem autonomia sobre o próprio corpo, mas
disse que isso não dá a ela o direito de decidir sobre o corpo do outro
– no caso, o feto – que "está ligado ao corpo dela apenas por uma
circunstância".
O projeto
já passou por análise na Comissão de Seguridade Social e Família,
que rejeitou o artigo do projeto que descriminaliza o aborto. Como outras matérias tramitam em conjunto com o projeto, porém, ele seguiu
para a CCJ.
A votação do projeto gerou polêmica entre os deputados da comissão. Durante a sessão de votação,
deputados favoráveis à descriminalização chegaram a deixar a
comissão em protesto contra a rejeição de requerimentos de audiências públicas para continuar a discussão da matéria. Representantes de movimentos pró e contra o aborto
se manifestaram várias vezes com palavras de ordem como "o estado é
laico" e "não à hemorragia, contra o aborto". Em vários momentos, o
presidente da comissão, deputado Jofran Frejat (PR-DF), teve de pedir
ordem aos manifestastes.
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