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4 de Julho de 2008 - 13h20 - Última modificação em 4 de Julho de 2008 - 13h20


Conselho Indigenista Missionário cobra elucidação da morte de índia xavante

Da Agência Brasil


 
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Brasília - O vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Roberto Antônio Liebgott, disse hoje (4) ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, que espera a elucidação da morte da índia de 16 anos Jaiya Xavante, que estava abrigada na Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai).

A jovem tinha uma lesão neurológica – não falava e se locomovia com cadeira de rodas – e estava em tratamento desde o dia 28 de maio no abrigo. Atendida no Hospital Universitário de Brasília (HUB), Jaiya morreu no dia 25 de junho em conseqüência de uma perfuração de 40 centímetros em seu órgão genital, durante uma cirurgia.

De acordo com o delegado titular da 2ª Delegacia de Polícia, Antônio José Romeiro, responsável pelo caso, os índios do abrigo negam que a menina tenha sofrido violência sexual. Essa hipótese também já foi descartada pela investigação.

Segundo o relatório sobre violência de jovens indígenas do Cimi, os casos de estupro entre índios são esporádicos e normalmente estão associados ao álcool. “Na maioria das vezes, as violências sexuais são praticadas por homens brancos contra mulheres indígenas”, defendeu Liebgott.

Para o representante do Conselho Indigenista Missionário, esse caso serve para que a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), responsável pela saúde dos povos indígenas, analise a situação dos abrigos indígenas. “As casas de saúde acabam sendo um espaço em que convivem pessoas doentes de diferentes regiões, povos e culturas. As pessoas saem de sua aldeia com uma doença e ao retornarem não foram curadas e acabam ainda adquirindo uma o outra”, criticou.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Distrito Federal (OAB/DF), na visita à Casai, na última terça-feira (1º), constatou problemas nos equipamentos, na higiene do abrigo e a falta de pessoas qualificadas para atender e acompanhar os abrigados.

Segundo Liebgoti, a Funasa não têm estrutura para atender aos índios e acabou terceirizando esse serviço, o que limitou a prevenção e a cura de doenças desses povos. Ele sugeriu que a diversidade dos mais de 240 povos indígenas seja levada em consideração para a criação dos abrigos.

 


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