|
|
4 de Julho de 2008 - 11h18 -
Última modificação
em 4 de Julho de 2008 - 11h18
Ministro afirma que país está protegido da crise de alimentos, mas não está imune
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil
|
|




|
Marcello Casal Jr/ABr
| |
Brasília - O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, concede entrevista a emissoras de rádio no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
|
Brasília - O Brasil
está bem protegido da crise
mundial de alimentos, graças ao progresso da agricultura familiar, mas não está imune às ameaças.
A
avaliação é do ministro do Desenvolvimento
Agrário, Guilherme Cassel. Para ele, o governo precisa
agir com responsabilidade e “tomar todos os cuidados”.
“Quando
há uma crise de preços de alimentos, a gente sabe que
quem sofre primeiro e sofre mais são as camadas mais pobres da
população", disse.
"A gente tem que impedir que isso aconteça
produzindo mais alimentos, alimentos que a gente consome no
dia-a-dia", acrescentou, ao participar de entrevista a emissoras de rádio no estúdio
da Empresa Brasil de Comunicação (EBC),
em Brasília.
Por essa
razão, segundo Cassel, a aposta do governo federal é ampliar a
produção nacional, em um período de três
anos, para 18 milhões de toneladas – o suficiente para
abastecer o país durante dois meses e meio – por meio da
“modernização acelerada” da agricultura familiar. “Estamos convencidos de que a crise é séria, mas que
encontramos o caminho certo para enfrentá-la.”
Ele reforçou o posicionamento do governo em relação
à monocultura e afirmou que a prática é ruim não
apenas para o agricultor que só planta soja, cana ou
eucalipto, mas para a toda a sociedade, que fica sem leite, frango, carne,
frutas e outros alimentos consumidos no dia-a-dia.
“A dona-de-casa e o trabalhador, quando vão ao supermercado,
compram feijão, arroz, pão, leite. É com isso
que a gente tem que se preocupar. A gente tem que garantir a produção
de tudo isso para que os preços baixem no supermercado.”
Segundo Cassel, atualmente quem investe na produção de alimentos está ganhando
dinheiro e estabilidade. Ele acredita que os agricultores
brasileiros, aos poucos, começam a perceber que “o papel
fundamental” da agricultura familiar no país é garantir
mercado interno.
“O
financiamento de investimento de até R$ 100 mil por família,
com 2% de juros ao ano e os três anos de carência [previstos no Plano Safra Mais Alimentos] são
vinculados apenas para a produção de alimentos básicos.
As pessoas que moram nas cidades vão enxergar melhor o papel
econômico dos agricultores familiares, que vão ter mais
estabilidade e mais renda.”
O
ministro lembrou ainda que os investimentos na produção
de grãos voltada aos biocombustíveis não
devem atrapalhar o aumento da oferta de alimentos, já que
apenas 18% do óleo extraído da soja, por exemplo, é utilizado
para a produção do biodiesel.
“O
restante se transforma em adubo, em alimento para ave, para suíno.
Tem sentido do ponto de vista da cadeia alimentar. É
diferente, por exemplo, do etanol de milho nos Estado Unidos. Mais de
90% do milho é utilizado [na produção de etanol].”
|
|
|
LEIA MAIS SOBRE OS ASSUNTOS
|
|