A
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Detran, que
analisa as denúncias de corrupção no governo
gaúcho, deve votar ainda hoje (4) o seu relatório
final, que resume cinco meses de atividade dos deputados estaduais. O
documento, de 425 páginas, está sendo lido desde a
manhã de hoje, na Assembléia Legislativa do Rio Grande
do Sul.
O
presidente da CPI, deputado estadual Fabiano Pereira (PT), já
adiantou que votará contra o documento, que considera
incompleto. “O relatório tem várias incorreções
e serve =como uma tese de defesa dos réus que fizeram uma
fraude no Detran, de onde foram desviados mais de R$ 40 milhões
do povo gaúcho”, disse.
O
relatório do deputado Adilson Troca (PSDB) acata a decisão
da juíza Simone Barbisan Fortes, que nominou 40 réus no
processo sobre fraudes nos contratos das fundações
ligadas à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) com
Detran. Troca também sugeriu o indiciamento de Ronaldo
Morales, ex-presidente da Fundação de Apoio à
Tecnologia e Ciência (Fatec), que gerenciava os testes de
motorista do Detran gaúcho.
Fabiano
Pereira garantiu que a bancada do PT vai apresentar, em seu voto, o
indiciamento de mais sete pessoas: a governadora Yeda Crusius, o
deputado federal José Otávio Germano (PP), o presidente
do Tribunal de Contas do Estado, João Luiz Vargas, o
ex-secretário geral de governo Délcio Martini, o
ex-representante do governo gaúcho em Brasília, Marcelo
Cavalcante, o ex-chefe da Casa Civil, Cézar Busatto, e o
ex-secretário do Planejamento, Ariosto Culau.
O relatório
também faz um conjunto de recomendações ao
governo, como a realização de concurso público
para o Detran, a diminuição do preço da Carteira
Nacional de Habilitação e a revisão dos
contratos realizados pelo Detran com as fundações e
organizações não-governamentais.
Para Troca,
seu relatório é consistente e mostra tudo o que
aconteceu no órgão desde 1997. “A oposição
diz que eu fui brando em relação ao governo atual, mas
de todos esses anos de irregularidades, temos apenas cinco meses do
governo atual. Estamos citando tudo o que aconteceu de 1997 para cá,
mostrando todos os problemas. É uma disputa política
também”, reconhece Troca, que é do mesmo partido que
a governadora Yeda Crusius. O relator acredita que, dos 11
parlamentares que compõem a CPI, pelo menos nove deverão
votar pela aprovação do relatório.
Fabiano
Pereira tem consciência de que, como a oposição
tem minoria na Comissão, será difícil rejeitar o
relatório, mas ele afirma que, nessa hipótese, o PT irá
encaminhar uma representação cível e outra
criminal ao Ministério Público Federal. Além
disso, ele diz que a Comissão de Serviços Públicos
da Assembléia Legislativa vai dar continuidade às
investigações dos documentos obtidos pelo Parlamento
gaúcho.
Para o
presidente da CPI, mesmo se o relatório for aprovado como
está, o resultado do trabalho da comissão será
positivo. Segundo ele, além de dar transparência aos
acontecimentos, a CPI possibilitou a investigação em
outros órgãos do governo e atingiu pessoas influentes
na política gaúcha. “Embora o relatório seja
omisso, a CPI não corre mais o risco de virar pizza, porque
ela já deu resultados no decorrer de seu caminho, dando
transparência à fraude, mostrando quem desviou recursos
e procurando ir além nas investigações”,
afirma Pereira.