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4 de Julho de 2008 - 16h51 - Última modificação em 4 de Julho de 2008 - 16h51


Vazio sanitário impõe restrição temporária ao plantio de soja em oito estados

Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Os plantadores de soja da maioria dos estados produtores estão obedecendo recomendações técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e respeitando o vazio sanitário estabelecido para a entressafra, visando conter o ataque do fungo da ferrugem asiático, o Phakopsora pachyrhizi, que provoca desfolhamento nas plantas e prejudica o desenvolvimento dos grãos, afetando a rentabilidade das lavouras.

O período de restrição ao plantio este ano no Brasil vai de 15 de junho até  30 de setembro. Em Mato Grosso e Paraná, o vazio sanitário precisa ser cumprido até 15 de setembro; em Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins, São Paulo e Minas Gerais até 30 de setembro;  e no Maranhão entre 15 de agosto e 15 de outubro.

O fitopatologista e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Rafael Moreira Soares esclarece que o vazio sanitário foi criado com o objetivo de proibir o cultivo de inverno - menos importante que o de verão -, para que haja um período maior sem soja no campo. "Isso faz com que a população do fungo causador da ferrugem diminua bastante, pois sem as plantas da soja ele sobrevive no máximo por 55 dias no ambiente".

A soja é uma cultura de verão, sendo plantada normalmente entre outubro e abril, lembra Rafael Moreira. Mas, com o desenvolvimento de novas cultivares, adaptadas a diversas condições climáticas e também devido ao uso de irrigação artificial, muitas regiões (principalmente a do Cerrado) começaram a semear soja no inverno (ou entressafra,  que vai de  junho a setembro).

Com o aparecimento da ferrugem asiática no Brasil em 2001, o fungo causador da doença, que precisa da planta viva para se desenvolver,  encontrou condições para sobreviver, pois havia soja no campo praticamente o ano inteiro, explica Rafael Moreira.

"Quando começa o plantio de verão, a incidência do fungo da ferrugem está muito baixa no meio ambiente, mas,  na medida em que transcorre a safra, a doença acaba aparecendo,  embora mais lentamente, podendo ser controlada com fungicidas, que são menos tóxicos que os inseticidas.  Apesar do uso de  fungicidas,  a população do fungo acaba aumentando com o tempo, atingindo com maior severidade a soja que tiver sido plantada por último, o que incorre em necessidade de uso dos fungicidas".

O  período de plantio da soja pode variar de outubro a dezembro, dependendo da região, destaca o pesquisador Rafael Moreira Soares. Por isso,  quanto mais cedo se plantar na safra de verão, melhor estará sendo a estratégia do agricultor para escapar da doença, lembra ele.

A recomendação dos técnicos da Embrapa é de que os plantadores respeitem o vazio sanitário, procurando semear cedo  na safra de verão, devendo sempre monitorar a lavoura para realizar a aplicação de fungicida no momento certo.

Durante a safra 2007/2008 ocorreram 2106 de focos da ferrugem asiática, cujo fungo vem pelo vento, sendo propícia a temperatura entre 28 a 30 graus.  Nessas condições, ele ataca as folhas da planta, provocando perfurações, afetando o desenvolvimento dos grãos.

O fungo Phakopsora pachyrhizi começou a atacar as lavouras de soja no país por volta de 2001. O pesquisador Rafael Moreira afirma que em grandes plantações é praticamente improvável que não ocorra necessidade de proteger a lavoura com o uso de fungicidas, quando a temperatura está muito alta.

O Consórcio Antiferrugem, do qual participam todos os órgãos da cadeia produtiva da soja ligados ao Ministério da Agricultura, além de universidades e empresas do setor, tem procurado orientar os produtores quanto à prevenção adequada do fungo asiático. No final da atual safra de soja, será feito um balanço sobre o comportamento do fungo nas lavouras do país.




  



 


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