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São Paulo - O promotor do
Ministério Público Estadual Silvio Marques, que está
investigando os contratos da Alstom com o Metrô, a Companhia
Energética de São Paulo (Cesp), a Eletropaulo
(distribuidora de energia elétrica), a Companhia de Saneamento
Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a Companhia de
Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) e a
Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), aceitou o convite
para comparecer a uma audiência pública na Câmara
dos Deputados para dar esclarecimentos sobre a investigação
que está conduzindo.
O convite foi feito
pelos deputados federais por São Paulo Ivan Valente (P-SOL) e
Jilmar Tatto (PT), que se reuniram na tarde de hoje (4) com o
promotor. Os deputados estaduais do PT Roberto Felício, Enio
Tatto e José Zico Prado também participaram da reunião.
A audiência
pública para apurar irregularidades em contratos envolvendo o
governo de São Paulo e a empresa francesa Alstom será
realizada no dia 6 de agosto.
Há também
uma outra investigação sendo conduzida pelo Ministério
Público Federal em São Paulo para apurar se a empresa
francesa cometeu crimes de sonegação fiscal, de evasão
de divisas e de lavagem de dinheiro. Ambas as investigações
correm sob sigilo.
O requerimento para a
audiência pública foi aprovado no dia 4 de junho pelos
deputados integrantes da Comissão de Desenvolvimento
Econômico, Indústria e Comércio da Câmara
dos Deputados, por 10 a sete.
Segundo o deputado
Jilmar Tatto, há também a possibilidade de que se abra
uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara
dos Deputados para investigar os contratos entre o governo paulista e
a empresa.
“Vamos juntar todas
essas informações - também com o Ministério
da Justiça - para fazer um balanço da necessidade de se
instalar uma CPI, principalmente se a empresa Alstom continuar não
colaborando com os esclarecimentos necessários sobre estas
denúncias”, disse Jilmar Tatto.
Notícias
divulgadas pela imprensa internacional sobre o caso mostram que o
Ministério Público da Suíça suspeita que
integrantes do governo de São Paulo tenham recebido propina
para julgar os contratos e aditivos fechados entre a Alstom e as
estatais paulistas.
Um caso que está
sendo analisado na Suíça diz respeito a Robson Marinho,
conselheiro do Tribunal de Contas de São Paulo e secretário
da Casa Civil do governo paulista entre janeiro de 1995 e abril de
1997, que ganhou uma viagem para assistir aos dois jogos das finais
da Copa do Mundo de 1998, momentos antes de julgar os contratos
firmados entre a Alstom – que pagou sua viagem – com o Metrô
e a Eletropaulo.
“Há denúncias
de que Marinho analisou um processo [com a Alstom] que duraria
cinco anos pela tramitação normal e o resolveu em três
meses”, disse Ivan Valente.
Em nota à
imprensa, Robson Marinho confirmou ter participado dos julgamentos
dos contratos fechados entre o governo paulista e a Alstom quando era
conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ele afirmou na
nota que o julgamento foi feito “com base exclusiva nos princípios
jurídicos da moralidade e da legalidade, o que pode ser
comprovado nos votos que proferi, pois eles são públicos”.
Marinho também
confirmou ter viajado para a França para assistir aos dois
jogos das finais da Copa do Mundo após convite feito “pelo
amigo e ex-diretor da Alcatel”.
O conselheiro do TCE
diz ter visitado as instalações da empresa na França
nessa mesma viagem e que só “posteriormente” veio a saber
que a Alcatel era uma empresa integrante do Grupo Alstom. Marinho foi
convocado para prestar esclarecimentos no Ministério Público
Estadual, mas não compareceu.
Na próxima
quarta-feira (9), às 16 horas, os deputados devem se encontrar
com o ministro da Justiça, Tarso Genro, em Brasília,
para discutir sobre o caso.
Os deputados também
pretendem solicitar ao ministro que encaminhe um ofício
pedindo que as autoridades suíças autorizem a
divulgação do relatório sobre a empresa, que
corre sob sigilo no país.
“O Ministério
Público da Suíça não pode alegar que
houve um vazamento aqui [no Brasil], quando também
houve um vazamento lá para os jornais internacionais”, alega
o deputado Ivan Valente.
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