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4 de Julho de 2008 - 20h47 - Última modificação em 4 de Julho de 2008 - 20h47


Promotor vai à Câmara falar dos contratos da Alstom com governo de São Paulo

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - O promotor do Ministério Público Estadual Silvio Marques, que está investigando os contratos da Alstom com o Metrô, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), a Eletropaulo (distribuidora de energia elétrica), a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), aceitou o convite para comparecer a uma audiência pública na Câmara dos Deputados para dar esclarecimentos sobre a investigação que está conduzindo.

O convite foi feito pelos deputados federais por São Paulo Ivan Valente (P-SOL) e Jilmar Tatto (PT), que se reuniram na tarde de hoje (4) com o promotor. Os deputados estaduais do PT Roberto Felício, Enio Tatto e José Zico Prado também participaram da reunião.

A audiência pública para apurar irregularidades em contratos envolvendo o governo de São Paulo e a empresa francesa Alstom será realizada no dia 6 de agosto.

Há também uma outra investigação sendo conduzida pelo Ministério Público Federal em São Paulo para apurar se a empresa francesa cometeu crimes de sonegação fiscal, de evasão de divisas e de lavagem de dinheiro. Ambas as investigações correm sob sigilo.

O requerimento para a audiência pública foi aprovado no dia 4 de junho pelos deputados integrantes da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados, por 10 a sete.

Segundo o deputado Jilmar Tatto, há também a possibilidade de que se abra uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para investigar os contratos entre o governo paulista e a empresa.

“Vamos juntar todas essas informações - também com o Ministério da Justiça - para fazer um balanço da necessidade de se instalar uma CPI, principalmente se a empresa Alstom continuar não colaborando com os esclarecimentos necessários sobre estas denúncias”, disse Jilmar Tatto.

Notícias divulgadas pela imprensa internacional sobre o caso mostram que o Ministério Público da Suíça suspeita que integrantes do governo de São Paulo tenham recebido propina para julgar os contratos e aditivos fechados entre a Alstom e as estatais paulistas.

Um caso que está sendo analisado na Suíça diz respeito a Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas de São Paulo e secretário da Casa Civil do governo paulista entre janeiro de 1995 e abril de 1997, que ganhou uma viagem para assistir aos dois jogos das finais da Copa do Mundo de 1998, momentos antes de julgar os contratos firmados entre a Alstom – que pagou sua viagem – com o Metrô e a Eletropaulo.

“Há denúncias de que Marinho analisou um processo [com a Alstom] que duraria cinco anos pela tramitação normal e o resolveu em três meses”, disse Ivan Valente.

Em nota à imprensa, Robson Marinho confirmou ter participado dos julgamentos dos contratos fechados entre o governo paulista e a Alstom quando era conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ele afirmou na nota que o julgamento foi feito “com base exclusiva nos princípios jurídicos da moralidade e da legalidade, o que pode ser comprovado nos votos que proferi, pois eles são públicos”.

Marinho também confirmou ter viajado para a França para assistir aos dois jogos das finais da Copa do Mundo após convite feito “pelo amigo e ex-diretor da Alcatel”.

O conselheiro do TCE diz ter visitado as instalações da empresa na França nessa mesma viagem e que só “posteriormente” veio a saber que a Alcatel era uma empresa integrante do Grupo Alstom. Marinho foi convocado para prestar esclarecimentos no Ministério Público Estadual, mas não compareceu.

Na próxima quarta-feira (9), às 16 horas, os deputados devem se encontrar com o ministro da Justiça, Tarso Genro, em Brasília, para discutir sobre o caso.

Os deputados também pretendem solicitar ao ministro que encaminhe um ofício pedindo que as autoridades suíças autorizem a divulgação do relatório sobre a empresa, que corre sob sigilo no país.

“O Ministério Público da Suíça não pode alegar que houve um vazamento aqui [no Brasil], quando também houve um vazamento lá para os jornais internacionais”, alega o deputado Ivan Valente.




 


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