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Brasília - As investigações
em curso pela Polícia Federal sobre a atuação de
organizações não-governamentais sem fins
lucrativos que atuam no Brasil são vistas com ressalvas pela
direção da Comissão Pró-Yanomami (CCPY),
entidade que atua há 30 anos em comunidades índigenas
de Roraima e do Amazonas , mantida com recursos estrangeiros
e por meio de convênios com o governo federal.
Segundo Marcos Wesley,
presidente da CCPY, há de fato organizações
desvirtuadas de seus propósitos, mas não pode haver
generalização.
“É uma
injustiça essa xenofobia de achar que pessoas de outro país
não podem ter como causa pessoal, por exemplo, a
garantia dos direitos de uma etnia como a dos yanomami. Alguns são
mais brasileiros do que muitos que nasceram aqui. Encaminhamos
solicitação ao Departamento da Polícia Federal
para que se esclareça essa investigação”,
argumentou o dirigente em entrevista à Rádio Nacional da Amazônia.
“Tem ONGs importantes
para o Brasil e outras que são perversas e maléficas
para o Estado brasileiro. Acho que estão misturando um pouco
as coisas”, acrescentou.
A CCPY tem como
principal parceiro estrangeiro a Agência Norueguesa de
Desenvolvimento e Cooperação. No governo brasileiro,
mantém convênios com o Ministério do Meio
Ambiente para a criação de abelhas e esporadicamente
com o Ministério da Educação para a formação
de professores. A direção nega qualquer envolvimento em
práticas irregulares, como troca de conhecimentos
tradicionais da área por recursos de laboratórios
farmacêuticos. “Temos um histórico marcado pela ética
e justiça na missão de defesa dos direitos do povo
Yanomami”, afirmou Wesley.
O dirigente diz que uma
campanha contra a atuação das organizações
estrangeiras em áreas indígenas ou de proteção
ambiental atende a interesses econômicos questionáveis:
“Querem expropriar os territórios indígenas que são
as últimas terras conservadas. O que existe não são
ONGs com interesses estrangeiros. São pessoas sensíveis
às questões ambientais e dos direitos indígenas
que se unem para que essa situação seja controlada. Por
outro lado, tem interesses econômicos de brasileiros que vêem
no índio empecilho para o desenvolvimento.”
Ontem, o ministro da Justiça, Tarso
Genro, anunciou que governo federal editará em breve um decreto
presidencial pelo qual todas as organizações
não-governamentais que atuam em áreas de preservação
ambiental ou terras indígenas terão que esclarecer seus
objetivos e planos de trabalho no país, além de
declarar suas fontes de financiamento.
Também já
foi publicada uma portaria que obriga as ONGs a se recadastrar nos
próximos 120 dias na Secretaria Nacional de Justiça,
sob pena de cancelamento da autorização para que atuem
no Brasil. Segundo o ministro, não se trata de uma “política
anti-ONGs”, mas sim de detectar organizações que
atuam com desvio de finalidade e prestigiar aquelas que prestam
serviços relevantes .
O secretário
nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, informou que
investigações da Polícia Federal apontam a existência
no Brasil de organizações de fachada, algumas delas
dedicadas à biopirataria e à aquisição de terras em áreas
de fronteira.
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