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7 de Julho de 2008 - 21h52 -
Última modificação
em 8 de Julho de 2008 - 01h29
Dois anos e meio após a morte do filho num cativeiro das Farc, a mãe recebe seu diário
Júlio Cruz Neto
Enviado Especial
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Antonio Cruz/ABr
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Bogotá (Colômbia) - Militares resgatados pelo Exército colombiano, são homenageados com petálas de rosas durante missa em sua homenagem
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Bogotá (Colômbia) - Julián Ernesto Guevara era capitão de polícia quando foi
capturado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em novembro
de 1998, na cidade de Mitú, fronteira com o Brasil. Promovido a major no
cativeiro, morreu em janeiro de 2006. Dizem que foi vítima de doença grave, mas
não se sabe exatamente o que houve. O corpo nunca foi encontrado. Tinha 39 ano.
A partir de agora, os parentes poderão pelo menos saber o
que se passou nos pouco mais de sete anos em que Júllian amargou uma vida de
refém. Saber o que ele pensava, fazia, sofria, de quem mais sentia falta, que
idéia tinha dos seqüestradores, de seu país. A mãe recebeu hoje o diário do
filho das mãos do segundo sargento John Dairo Duran, um dos 15 resgatados
quarta-feira passada (2) na cinematográfica operação do Exército colombiano.
A entrega das memórias ocorreu durante missa realizada na
Academia de Polícia de Bogotá, em ação de graças pelos quatro policiais
libertados, que estavam no local. Mas Emperatriz Castro de Guevara esteve
serena do início ao fim, compensando o desconsolo da neta, que não parava de
chorar a forma trágica como perdeu o pai. Fez até graça na hora de revelar a
idade à reportagem, falando baixinho como se não quisesse ser escutada: 70.
Emperatriz, que vive implorando em vão pelos restos mortais
do filho, pediu para dar entrevista só no final, para não atrasar a cerimônia.
Disse que queria muito falar sobre o assunto. Mas a polícia não deu chance.
Colocou as duas, avó e neta, num elevador e sumiu com elas. O mesmo com os
policiais libertados: correria, empurrões e umas poucas palavras roubadas.
"Estou muito contente, muito alegre", afirmou o intendente
Armando Castellanos, após alguma insistência, alegando que estava proibido de
falar. Se no sapato preto brilhante, no uniforme verde-oliva impecável e na
barba rente ele era idêntico aos outros três libertos, Castellanos estava
nitidamente mais disperso, menos sisudo, com menos firmeza nas mãos, que não
paravam de tremer.
Durante a cerimônia, sem precisar de insistência alguma, pronunciou
algumas poucas palavras também, dirigidas a uma senhora que estava a seu lado. "Muy bonito, mama". Foi
após um interminável aplauso ocorrido após a seguinte declaração do celebrante:
"Ingrid, um sorriso que paralisou o mundo inteiro por um momento, é o nome
desta homilia. Aquele é também o sorriso dos demais".
O celebrante também reforçou o vínculo com o governo, assim
como ocorreu na missa realizada sábado na Catedral de Bogotá. Disse que o
presidente Álvaro Uribe autorizou que se reze o rosário toda quarta-feira no
Palácio de Nariño e que a operação de resgate foi realizada enquanto isso
acontecia. "A operação foi um milagre, ninguém sonhava em libertar 15 pessoas
sem disparar um único tiro", afirmou.
Mas o momento mais emocionante da cerimônia foi quando todas
as pessoas que lotaram o salão, incluindo as três galerias, balançaram folhas
de papel e lenços brancos, e uma chuva de pétalas de rosas coloriu o chão.
Estima-se que 20 policiais, 11 militares e dez políticos
estejam entre os cerca de 700 cidadãos que as Farc ainda mantêm reféns. Um
deles é Elkin Hernandez Ribas, tenente de 32 anos seqüestrado desde os 22. Sua
mãe, Magdalena Rivas de Hernandez, tem certeza de que ele estará entre os
próximos libertados.
"Com o coração na mão, peço liberdade para todos eles. E ao
meu filho, se meu escutar por este meio, te peço meu amor, siga com essa
galhardia. Te amo, te amamos e aqui continuamos te esperando. Sei que logo você
vai estar em meus braços."
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