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Rio de Janeiro - “Perseguição
clara”. Assim definiu hoje (8) Nélio Machado, advogado do
banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, a prisão pela
Polícia Federal de seu cliente esta manhã, no Rio de
Janeiro.
Dantas está
detido na sede da PF, na zona portuária da capital.
O banqueiro foi preso
na Operação Satiagraha, que investiga crimes
financeiros, e que também prendeu o investidor Naji Nahas e o
ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, e tem mandado de prisão
para outras 21 pessoas.
Segundo o advogado
Nélio Machado, a prisão de seu cliente é
“ilegal” e revela perseguição “da Polícia
Federal, sem dúvida, e do Ministério Público,
que faz com que as investigações se transformem em
acusações, de igual modo”.
“Já decretaram
a prisão preventiva [do Daniel Dantas] diversas vezes,
todas rechaçadas pelo Judiciário”, acrescentou.
O advogado denunciou
que Daniel Dantas sofre perseguição há quatro
anos, desde as investigações da PF sobre o caso Kroll –
a empresa foi contratada pela Brasil Telecom para investigar a
concorrente Telecom Italia. Na ocasião, durante a venda da
Brasil Telecom, a terceira maior empresa de telefonia do país,
Dantas foi investigado por participação na espionagem.
Nélio Machado
disse que não sabe quais acusações pesam sobre
seu cliente, e que só dispõe das informações
divulgadas pela imprensa.
“Os crimes nunca
foram explicitados. Está tudo guardado a sete chaves. Não
sei quais são as acusações”, afirmou.
O advogado negou também
que Daniel Dantas tenha algum tipo de ligação com os
outros presos na operação, e que o banqueiro não
está envolvido no mensalão, suposto esquema de desvio
de verbas públicas para compra de votos de parlamentares da
base do governo, que teria se desdobrado na Operação
Satiagraha.
“Se tivesse essa
ligação [com o mensalão] ele teria sido
denunciado pelo Supremo Tribunal Federal. A ação está
em andamento e ninguém escuta falar de Daniel Dantas como
acusado”, disse.
Nélio Machado
também acusa a PF de “cercear” a atividade dos advogados
no caso, e levanta suspeitas sobre “interesses espúrios”
por trás da prisão do banqueiro.
“As empresas geridas
pelo Opportunity tiveram resultados excepcionais. Em um dado momento,
passou-se a ter um questionamento”.
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