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Brasília - A mãe
da adolescente Jaiya Xavante, Carmelita Xavante, acusou a Casa de
Apoio à Saúde Indígena (Casai), da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), de demora para
prestar socorro, além de apontar negligência médica
no atendimento à indígena, que morreu no último
dia 25. De acordo com a polícia, Jaiya, de 16 anos, sofreu
perfuração dos órgãos genitais e morreu
durante cirurgia no Hospital Universitário de Brasília.
“O que
aconteceu foi a falta de atendimento da Casai para socorrer [Jaiya] e também houve negligência
médica", disse Carmelita.
As
declarações foram transcritas pelo chefe do núcleo
de apoio local da Fundação Nacional do Índio
(Funai) em Campinápolis (MT), Paulo Tsererãve Dumhiwe,
e enviadas, por meio de carta, ao coordenador de apoio a áreas
xavante, Edson Silva Beiriz, que acompanha os depoimentos à
polícia.
“O
chefe da Funai no núcleo de norotã em Campinápolis,
que por sinal é índio, conversou com a comunidade e
elas declararam para ele naquela carta o que se passou. Então
ali é um depoimento da família em relação
aos fatos”, afirmou Beiriz.
De acordo
com o texto, Carmelita Xavante relatou que a filha só foi
levada ao hospital horas depois de ter começado a passar mal,
apesar de haver duas viaturas da Funasa disponíveis para
transporte de índios. Ao chegar ao hospital, Carmelita
relatou que a filha foi levada para o banho e, em seguida, atendida
por uma equipe do hospital.
“Escutei
a voz de um deles – vamos furar nela para que a barriga esteja
diminuída e eu vi na mão de uma enfermeira um
instrumento, tipo agulha (sic)” , contou ela, de acordo com a transcrição
literal da carta.
Ainda segundo a carta, a tia de Jaiya, Maria Imaculada Xavante, que prestou
depoimento hoje à Polícia Civil, negou que tenha sido
responsável pela morte da sobrinha. “Matar a sobrinha é
impossível. Por que faria isso? Por que motivo, se ela é
sobrinha e eu ajudava a mãe a cuidar”, relatou.
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