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8 de Julho de 2008 - 22h54 - Última modificação em 8 de Julho de 2008 - 22h54


Daniel Dantas tentou corromper delegado federal para ficar fora da investigação

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) em São Paulo pretendem apurar como o banqueiro Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity, soube com antecedência sobre a Operação Satiagraha, que desmontou hoje (8) duas organizações criminosas que, associadas, podem ter obtido altos faturamentos no mercado de ações e que seriam responsáveis também por um esquema de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro.

Um dos grupos, liderado por Daniel Dantas, sabendo antecipadamente da operação da PF, tentou corromper um delegado federal que participava da investigação para que o nome do banqueiro e de sua irmã Verônica Dantas fossem retirados do inquérito. Uma das pessoas, Hugo Chicaroni, a mando de Dantas, ofereceu US$ 1 milhão para o delegado federal. Hoje, na casa de Chicaroni, que foi preso preventivamente, a Polícia Federal apreendeu R$ 1,180 milhão – e acredita que esse dinheiro seria utilizado para o pagamento do suborno ao delegado.

“A promessa de propina ao delegado da Polícia Federal serve para demonstrar a audácia do grupo criminoso, que não respeita as instituições brasileiras e não teme nem mesmo a proposta de propina”, disse o procurador do Ministério Público Federal Rodrigo de Grandis, durante entrevista coletiva concedida na tarde de hoje na sede da superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

Chicaroni e Humberto da Rocha Brás também tentaram convencer o delegado federal para que, após o desfecho da Operação Satiagraha, a Polícia Federal se empenhasse em criar uma nova operação para investigar um adversário de Daniel Dantas, o empresário Luís Roberto Demarco, ex-sócio do Opportunity.

Além de Chicaroni, Daniel Dantas e sua irmã, a Polícia Federal prendeu outras 14 pessoas em São Paulo e no Rio de Janeiro – entre elas, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Os três mais conhecidos - Dantas, Nahas e Pitta - ficarão presos temporariamente na sede da PF em São Paulo em celas separadas.

O MPF também chegou a pedir a prisão do advogado e ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, acusado de participar do grupo liderado por Dantas, mas o juiz federal Fausto de Sanctis entendeu que não existiam fundamentos suficientes para decretá-la.



 


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