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Brasília - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
ministro Gilmar Mendes, criticou hoje (8) à noite, antes da solenidade de posse
do novo secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça, Álvaro Ciarini, o que
classificou como “de novo, um quadro de espetacularização das prisões”
por parte da Polícia Federal. Mendes referiu-se à Operação Satiagraha, que
resultou hoje nas prisões do ex-prefeito de São Paulo Celso
Pitta, do banqueiro Daniel Dantas e do empresário Naji Nahas, além de
outros 17 acusados de crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e formação
de quadrilha.
O ministro considerou esse procedimento da Polícia
Federal “dificilmente compatível com o estado de direito” e também
condenou “o uso abusivo de algemas”, acrescentando que “tudo isso terá
que ser discutido”. O presidente do Supremo qualificou ainda como
“absurdos” os pedidos de prisão preventiva, busca e apreensão da
jornalista Andréa Michael, do jornal Folha de São Paulo, por ter
antecipado, em reportagem publicada no dia 26 de abril, o teor da
operação Satiagraha.
De acordo com informação publicada na página do STF
na Internet, o ministro disse que “prender um jornalista por revelar
uma informação faz inveja ao regime soviético. Ainda bem que o juiz
negou o pedido”. Gilmar Mendes definiu como abuso do próprio pedido de
prisão preventiva a atitude da Polícia Federal em relação à jornalista
Andréa Michael e questionou tal procedimento: “Caso se impute à
jornalista prática de uma infração, qualquer que ela seja, qual é a
justificativa para a prisão preventiva? Ela poderia fugir? Ela poderia
dar cabo de provas?”, indagou Gilmar Mendes.
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