Elza Fiúza/ABr
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Brasília - O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Gilmar Mendes, abre o seminário nacional sobre os 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, promovido pelo CNJ e pela Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Adolescência (ABMP)
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Brasília - O grande desafio
vinculado ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que
faz 18 anos no próximo domingo (13), ainda é estreitar
o diálogo entre o que é estabelecido pela própria
legislação e a sociedade.
A avaliação foi
feita hoje (9) pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça,
ministro Gilmar Mendes, ao participar do encontro O Judiciário
e os 18 Anos do ECA: Desafios na Especialização para a
Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes.
No encontro,
promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela
Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de
Justiça e Defensores Públicos da Infância e da
Adolescência (ABMP), Mendes classificou de “autoritário”
e “centralizador” o Código de Menores, que vigorou durante o
período da ditadura militar e antecedeu o ECA.
“A juventude brasileira é
uma das parcelas frágeis, desassistidas e, por isso, mais
vulneráveis da população, o que se revela um
verdadeiro contrasenso, por ser justamente a mais fértil para
dar bons frutos em curtíssimo prazo. Investir na juventude
será sempre a mais promissora das escolhas de uma nação.”
Segundo o ministro, as crianças
e os adolescentes, atualmente, já são reconhecidos pela
legislação como “autênticos sujeitos de
direitos”, e não mais como “objetos de intervenção
jurídico-social”. Mendes ressaltou que a condição
“peculiar” dos menores como pessoas em desenvolvimento permite
que a comunidade e o próprio Estado tenham sua
responsabilidade “cobrada a cada instante, sob pena de intervenção
judicial”.
Também presente ao encontro,
a senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) disse que, no Brasil,
“infelizmente”, não há uma relação
próxima entre o que prevê o ECA e a realidade. Ela
lembrou que, em diversos momentos, a própria sociedade tem
contestado a legislação, questionando se não
seriam leis muito modernas quando comparadas ao retrato apresentado
pelo país.
“Como se o Brasil precisasse se espelhar naquilo
que é antigo e que não é bom para as nossas
crianças na tentativa de resolver o problema. É como se
tivéssemos um novo remédio a ser testado e, como se
acha que esse remédio pode ser muito avançado, a gente
resolve não dar para o paciente e ele morre.”
Segundo a senadora, a cada dia, 16 adolescentes
morrem no Brasil morrem vítimas da violência. Para
Patrícia, ainda há muito o que denunciar para que o
país possa reconhecer crianças e adolescentes como “o
melhor e maior patrimônio de uma nação”.