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Brasília - As agências do
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em todo o país não
deverão abrir amanhã (10) e só voltarão a
funcionar na sexta-feira (11). Pelo menos é o que pretende a
Federação Nacional dos Servidores da Previdência
(Fenasp), que programou uma paralisação de advertência
ao governo, por 24 horas, em defesa de melhores condições
de trabalho e reajuste salarial. Caso não tenha sucesso no
atendimento às revindicações, a categoria já
tem data marcada para uma greve geral, por tempo indeterminado,
aprovada nas assembléias estaduais: 5 de agosto.
A informação
é do diretor do Sindicato dos Previdenciários no Rio e
membro da mesa de negociação da Fenasp Rolando
Medeiros. Segundo ele, a proposta apresentada pelo governo já
foi recusada pelos trabalhadores. O governo propõe reajustar
uma gratificação que já existe durante os
próximos quatro anos, mas desde que os servidores aceitem
trabalhar 40 horas semanais, em vez de 30, como ocorre atualmente.
Essa proposta,
conforme o sindicalista, desrespeita uma orientação da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) para que o
trabalhador que está sujeito a condições de
insalubridade e em contato direto com o público não
trabalhe mais do que seis horas por dia. Além disso, o
reajuste sobre a gratificação de desempenho não
beneficia os inativos, o que segue a atual política salarial
do governo de não conceder aumentos aos aposentados, posição
também contestada pela Fenasp.
Rolando Medeiros diz
que os servidores do INSS querem também a implantação
imediata de um Plano de Cargos e Salários para corrigir uma
defasagem em relação aos seus colegas do Ministério
da Fazenda, que ganham três vezes mais do que os
previdenciários. Além disso, eles estão cobrando
do presidente Lula um compromisso que ele assumiu em 1987, quando era
líder da oposição na Constituinte.
“Naquela época”
- lembra Rolando - “para encerrar uma greve que já durava
muito tempo, foi assinado um acordo, que teve a participação
do Lula, por ser o grande líder dos trabalhadores, concedendo
um adiantamento de 100% aos servidores da Previdência sobre o
salário bruto, por conta do futuro Plano de Cargos e
Salários que seria negociado com o governo. Depois de dois
anos, porém, o governo Collor cortou esse adiantamento e até
hoje o PCC não foi implantado, mais de duas décadas
depois”.
Quanto à
melhoria das condições de trabalho, a liderança
dos servidores quer abertura de novas agências e a reabertura
das que foram fechadas, uso de novos programas de informática,
instalações que garantam conforto ao funcionário
e ao segurado e realização de concursos para a
contratação de servidores que preencham as necessidades
da instituição: 15 mil era o número estimado
por um levantamento realizado em 2006 pelos gerentes executivos do
INSS por recomendação do Ministério Público
Federal, o que, hoje, é bem maior, por motivo de
aposentadorias, falecimentos e demissões.
Para se ter uma idéia
da situação - informou Rolando Medeiros –, na década
de 80 a Previdência Social mantinha 12 milhões de
benefícios com 75 mil servidores em todo o país. Hoje,
são 25 milhões de benefícios, com 35 mil
funcionários, a metade do quadro de 20 anos atrás. “E
para trazer para a Previdência 50 milhões de
trabalhadores que vivem na informalidade, como pretende o governo,
obviamente , esse quadro precisa ser muito reforçado”,
ressaltou ele, acrescentando que essa meta tem o apoio das lideranças
sindicais dos servidores.
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