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Brasília - Em audiência pública da Comissão de
Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, realizada hoje (9), representantes de movimentos
sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Coordenação Nacional de Quilombos(Conaq) e o Movimento Indigenista Missionário (Cimi) alegaram hoje sofrer
perseguições da polícia, de fazendeiros,
de empresários e do poder público.
O ministro da
Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, disse estar
preocupado com uma possível “onda” de perseguição
aos movimentos sociais, em especial, com o caso do MST no Rio Grande
do Sul que, recentemente, sofreu represálias da Polícia Militar numa manifestação em Porto Alegre.
Para o ministro, os movimentos sociais são “pilares
da democracia”. “A Secretaria de Direitos Humanos tem completa
identidade com as preocupações aqui expostas”,
ressaltou Vannuchi.
As denúncias de
que a polícia e o Ministério Público Estadual
estão perseguindo o MST no Rio Grande do Sul foram o
principal motivador da audiência de hoje.
Segundo o integrante do
MST gaúcho, Sílvio Santos, a polícia tem utilizado de
intimidação, violência e humilhações
para reprimir as ações do movimento no estado.
Para
ele, a repressão é estimulada por uma resolução
do Conselho Superior do Ministério Público do Rio Grande do Sul que
elaborou uma suposta estratégia para dissolver o movimento no
estado. “Querem impedir o nosso direito de se organizar, de lutar,
por uma questão básica, que é o acesso à terra”,
queixou-se Santos.
As denúncias de
perseguição e violência foram reforçadas
pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB) de Passo Fundo (RS), Leandro Scalabrin. O
advogado citou uma série de exemplos em que a polícia
utilizou bombas de gás, bombas de efeito moral e balas de
borracha para dispersar manifestações de mulheres
camponesas, estudantes e professores.
No entanto, o
comandante da brigada militar do RS, coronel Paulo Roberto Mendes,
afirmou em entrevista à Agência Brasil, que “a brigada
se submete às normas da ONU [Organização das Nações
Unidas] quanto ao uso progressivo da força”.
Para o coronel,
“crianças e mulheres não devem fazer parte de
movimentos de invasão, depredação, que perturbem
a ordem pública”. Mendes afirmou que as ações
da brigada, criticadas diversas vezes durante a audiência,
buscam “preservar a ordem pública no estado do Rio Grande
do Sul”.
O representante do Cimi, na audiência, Paulo Maldos,
também referiu-se a perseguições e classificou de “usina de mentiras” os argumentos de que a demarcação da terra indígena
Raposa Serra do Sol e as organizações
não-governamentais que atuam junto aos índios são
ameaças a soberania nacional.
Damião Braga, que participou da audiência representando a comunidade quilombola, disse que, muitas vezes, tentam "desqualificar as comunidades quilombolas para
não reconhecer e demarcar suas terras".
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