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São Paulo - O desembargador do
Tribunal de Justiça de São Paulo e presidente e
fundador do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências
Criminais, Wálter Maierovitch, considerou hoje (10) que houve
precipitação do presidente do Supremo Tribunal Federal
(STF), ministro Gilmar Mendes, na libertação do
banqueiro Daniel Dantas.
“A mesma precipitação
do ministro Marco Aurélio de Mello [do STF] quando
libertou o banqueiro Salvatore Cacciola. Foi um tratamento
privilegiado. O ministro Gilmar Mendes transformou o STF em UTI para
colarinho branco”, afirmou.
Maierovitch, que também
é professor de pós-graduação em direito
penal e processual penal, disse que o Supremo é um colegiado e
a jurisprudência diz que no caso de habeas corpus
liberatório, só se concede liminar em flagrante
ilegalidade ou abuso de poder, o que não era o caso.
“O STF é
caracterizado por sua lentidão, e neste caso o ministro Gilmar
Mendes passou a noite de ontem (9) telefonando para São Paulo
à cata do juiz de plantão para obter informações.
Isso é inusitado. O juiz tem até 24 horas para fornecer
informações”, disse.
Quanto às
críticas de Gilmar Mendes ao tratamento dado aos presos pela
Polícia Federal, ele disse que o uso de algemas é
legal.
“A prisão é
um ato público. Ela não pode é promover a
exposição vexatória do réu. A Polícia
Federal agiu corretamente”, afirmou.
Maierovitch deu como
exemplo a prisão do mafioso Michele Sindona, conhecido como
Banqueiro da Cosa Nostra, e de Roberto Calvi, chamado de Banqueiro de
Deus. “Os dois também foram algemados”.
Maierovitch foi
secretário nacional Antidrogas da Presidência da
República. O banqueiro Daniel Dantas foi preso na terça-feira (8) pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, acusado de envolvimento em crimes de desvio de verbas públicas, corrupção e
lavagem de dinheiro.
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