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Florianópolis - Dividido pelas 137
mesorregiões do Brasil (regiões com geografia,
sociedade e economia similares), o Indicador de Desenvolvimento
Cultural (Idecult, nome provisório), que será lançado
oficialmente em agosto pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), mostra que 10% das riquezas geradas pela cultura do
país ficam concentradas nas regiões metropolitanas
brasileiras.
O dado foi apresentado pelo desenvolvedor do Idecult,
pesquisador do Ipea Frederico Barbosa, em painel sobre a economia da
cultura e sua relação com os museus no 3º Fórum
Nacional de Museus. O evento ocorre em Florianópolis desde a
última segunda-feira (7).
O indicador leva em conta cinco
índices diferentes, que medem tanto a produção e
o fomento culturais nos municípios quanto o consumo cultural
da população.
Além do dado sobre a
concentração nas regiões próximas às
capitais, apenas 19 mesorregiões superaram o índice de
0,47 – assim como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH),
o Idecult é medido de 0 a 1 – o que significa que, na grande
maioria dos municípios, a oferta e o consumo cultural são
muito baixos.
Entre as mesorregiões mais desenvolvidas
culturalmente – e aí estão incluídas as
regiões metropolitanas –, 13% ficaram com o indicador entre
0,47 e 0,87. Entretanto, nos pequenos municípios, com menos de
10 mil habitantes, pelo menos 54% dos domicílios realizam pelo
menos um gasto com cultura por ano – o que significa comprar um
livro ou ir ao cinema.
Este número é mais de 20%
maior nos 13 municípios brasileiros com mais de 1 milhão
de habitantes: chega aos 77%.
Entre as regiões
do país, a que tem o maior percentual de domicílios que
realizam este gasto é a Sul: 84,5%.
Outro dado relevante do
Idecult: apenas 4% dos municípios são responsáveis
por 74% do consumo cultural do país.
O indicador também
mede a situação de trabalho no setor cultural. De
acordo com os dados apresentados por Barbosa, aferidos pelo Cadastro
Nacional de Atividades Econômicas (Cnae), um dos índices
do Idecult que mede a participação das empresas
culturais, os empregados na área são 4% do total
brasileiro.
Nas maiores cidades do país, o número é
quase o dobro: 7,7%. Do total destes empregos, 41% são
informais – número muito maior nos municípios com
menos de 10 mil habitantes, que é de 70%.
Já os
dados do Código Brasileiro de Ocupações (CBO),
também levados em conta para a medição do
Idecult e que avaliam o número de profissionais culturais –
entre eles, arquitetos, publicitários e artesãos –
mostram que 1,148 milhão de pessoas no país trabalham
no setor cultural. Elas representam 1,7% das ocupações
nacionais.
O índice aponta, ainda, que 62,9% dos
profissionais culturais estão na informalidade. No teatro, o
número é ainda maior: 80%. Mostra ainda que essas
profissões remuneram, em média, 53% a mais que as
outras ocupações – no Distrito Federal, a remuneração
média é de R$ 1,49 mil, enquanto no Maranhão, a
média é de R$ 306.
* O repórter viajou a convite do Departamento de Museus (Demu) do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
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