Marcello Casal Jr./ABr
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Brasília - Alunos da Escola Classe 314 Sul, que obteve a maior nota da rede pública do Distrito Federal no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), indicador que mede a qualidade da educação
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Brasília - Se na questão do direito à educação o Estatuto da Criança
e do Adolescente (ECA) permitiu um avanço significativo desde
a década de 90, quando o assunto é qualidade do ensino ainda há um longo caminho a percorrer. O documento não aprofunda a discussão qualitativa. Os
especialistas apontam que a lacuna é reflexo da realidade
vivida na década de 90.
“Apesar de ser muito
novo, o ECA é de uma outra época. A discussão
que se fazia na década de 90 era mesmo sobre a quantidade. O
ECA significa um grande salto de qualidade no Brasil ao deixar de
colocar a criança como culpada: elas têm direitos e deveres
também. E isso se aprende dentro da escola”, aponta a
secretária de Educação Básica do Ministério
da Educação (MEC), Maria do Pilar.
Para o sociólogo
Daniel Cara, presidente da Campanha Nacional pelo Direito à
Educação, o debate sobre acesso e qualidade precisa ser um só. “O estatuto é reflexo de um período
em que o discurso se dava pela garantia do acesso à educação
que vinha vinculado à questão da qualidade, mas não
era tema aprofundado como hoje. Ou seja, o militante histórico
que participou da elaboração do ECA também
pensava em qualidade, só que naquele contexto o maior desafio
era o do acesso”, indica.
A secretária do MEC
ressalta que os avanços no acesso à educação
tornaram os desafios da aprendizagem mais aparentes. “Há 50
ou 60 anos, milhões de crianças e jovens
estavam foram da escola. A partir do momento que todos entram na
escola, muitos com dificuldade de aprendizagem e cujos pais e mães
nunca puderam estudar, os desafios aumentam. Hoje a gente garantiu o
acesso e estamos empenhados na garantia da qualidade”, aponta.
A coordenadora de Desenvolvimento Social da Organização das Nações
Unidas para a Educação, Ciência e Cultura
(Unesco), Marlova Neto, acredita que o próximo desafio é mesmo elevar a qualidade do ensino. "Não basta a criança estar na escola, ela preicsa estar aprendendo", defende.
Nessa batalha, os 352
alunos da Escola Classe 314 Sul, de Brasília, já são
vencedores. A escola obteve a maior nota da rede pública do
Distrito Federal no último Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb). De 0 a 10, a nota da
unidade foi 6,7, o que significa 2,5 pontos acima da média
nacional. O principal empenho da diretora Sandra Ponce e toda equipe
da escola, é tornar a aprendizagem uma experiência
prazerosa.
“A gente tem que
encarar o trabalho mais do que uma obrigação. Você
tem que ver a criança como ser humano e isso que faz a
diferença. Ela não é um número, um objeto
que passa pela sua mão. É preciso ver cada um
individualmente”, diz. Ainda que
inconscientemente, a fala de Sandra reproduz o artigo 3º do
ECA: “A criança e o adolescente gozam de todos os direitos
fundamentais inerente à pessoa humana (...) assegurando-lhes
todas as oportunidades e facilidades a fim de lhes facultar o
desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em
condições de liberdade e dignidade”.
Sandra não
acredita em uma fórmula para garantir ensino de qualidade. A
diferença, diz ela, está nos pequenos detalhes. No
recreio, por exemplo, os alunos são divididos em grupos e
participam de oficinas e brincadeiras. Uma vez por semana, todas as
turmas se reúnem no pátio para o momento da leitura,
além de dedicarem algumas horas da grade escolar para cuidar
de uma pequena horta. “Ele [aluno] passa a entender o que
ele está fazendo na escola e gostar daquilo naturalmente”,
avalia a diretora.
O resultado do
esforço pode ser conferido na fala dos alunos que definem a
escola como um lugar “muito legal”.“A minha escola ensina a
gente conviver melhor com outras pessoas. Aqui, eu gosto de tudo,
especialmente das aulas de matemática”, conta Vitor Enzo
Lima de Souza, 8 anos.