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13 de Julho de 2008 - 16h08 - Última modificação em 13 de Julho de 2008 - 16h08


Após a universalização do ensino, o desafio é a qualidade da aprendizagem

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

 
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Marcello Casal Jr./ABr
Brasília - Alunos da Escola Classe 314 Sul, que obteve a maior nota da rede pública do Distrito Federal no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), indicador que mede a qualidade da educação
Brasília - Alunos da Escola Classe 314 Sul, que obteve a maior nota da rede pública do Distrito Federal no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), indicador que mede a qualidade da educação
Brasília - Se na questão do direito à educação o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) permitiu um avanço significativo desde a década de 90,  quando o assunto é qualidade do ensino ainda há um longo caminho a percorrer. O documento não aprofunda a discussão qualitativa.  Os especialistas apontam que a lacuna é reflexo da realidade vivida na década de 90.

“Apesar de ser muito novo, o ECA é de uma outra época. A discussão que se fazia na década de 90 era mesmo sobre a quantidade. O ECA significa um grande salto de qualidade no Brasil ao deixar de colocar a criança como culpada: elas têm direitos e deveres também. E isso se aprende dentro da escola”, aponta a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar.

Para o sociólogo Daniel Cara, presidente da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o debate sobre acesso e qualidade precisa ser um só. “O estatuto é reflexo de um período em que o discurso se dava pela garantia do acesso à educação que vinha vinculado à questão da qualidade, mas não era tema aprofundado como hoje. Ou seja, o militante histórico que participou da elaboração do ECA também pensava em qualidade, só que naquele contexto o maior desafio era o do acesso”, indica.

A secretária do MEC ressalta que os avanços no acesso à educação tornaram os desafios da aprendizagem mais aparentes. “Há 50 ou 60 anos, milhões de crianças e jovens estavam foram da escola. A partir do momento que todos entram na escola, muitos com dificuldade de aprendizagem e cujos pais e mães nunca puderam estudar, os desafios aumentam. Hoje a gente garantiu o acesso e estamos empenhados na garantia da qualidade”, aponta.

A coordenadora de Desenvolvimento Social da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Marlova Neto, acredita que o próximo desafio é mesmo elevar a qualidade do ensino. "Não basta a criança estar na escola, ela preicsa estar aprendendo", defende.

Nessa batalha, os 352 alunos da Escola Classe 314 Sul, de Brasília, já são vencedores. A escola obteve a maior nota da rede pública do Distrito Federal no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). De 0 a 10, a nota da unidade foi 6,7, o que significa 2,5 pontos acima da média nacional. O principal empenho da diretora Sandra Ponce e toda equipe da escola, é tornar a aprendizagem uma experiência prazerosa.

“A gente tem que encarar o trabalho mais do que uma obrigação. Você tem que ver a criança como ser humano e isso que faz a diferença. Ela não é um número, um objeto que passa pela sua mão. É preciso ver cada um individualmente”, diz. Ainda que inconscientemente, a fala de Sandra reproduz o artigo 3º do ECA: “A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerente à pessoa humana (...) assegurando-lhes todas as oportunidades e facilidades a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade”.

Sandra não acredita em uma fórmula para garantir ensino de qualidade. A diferença, diz ela, está nos pequenos detalhes. No recreio, por exemplo, os alunos são divididos em grupos e participam de oficinas e brincadeiras. Uma vez por semana, todas as turmas se reúnem no pátio para o momento da leitura, além de dedicarem algumas horas da grade escolar para cuidar de uma pequena horta. “Ele [aluno] passa a entender o que ele está fazendo na escola e gostar daquilo naturalmente”, avalia a diretora.

O resultado do esforço pode ser conferido na fala dos alunos que definem a escola como um lugar “muito legal”.“A minha escola ensina a gente conviver melhor com outras pessoas. Aqui, eu gosto de tudo, especialmente das aulas de matemática”, conta Vitor Enzo Lima de Souza, 8 anos.

 


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