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Rio de Janeiro - O presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao
Crime Organizado da Câmara dos Deputados, deputado Raul Jungmann (PPS-PE),
afirmou hoje (10) que a libertação do banqueiro Daniel Dantas, beneficiado com
habeas corpus concedido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
Gilmar Mendes, representou uma grande decepção.
O comentário foi feito antes da divulgação da decisão do juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Fausto de Sanctis, que determinou, há pouco, a prisão preventiva do banqueiro. Dantas já foi conduzido por agentes da Polícia Federal para a sede do órgão em São Paulo.
O habeas corpus foi concedido ontem (9), pouco antes da meia-noite e o banqueiro foi liberado na madrugada de hoje. “O Supremo deve ter suas razões para suspender a prisão
preventiva. Mas não resta dúvida que isso representa uma frustração muito
grande, porque o Brasil tem um grande déficit de justiça, e sobretudo que a
Justiça alcance os mais ricos e poderosos”, observou.
Jungmann disse ser contra a divulgação, na mídia, de imagens
de prisões, como as mostradas nas operações da Polícia Federal, que foram
classificadas pelo presidente do STF como “espetacularização”. Para o deputado,
as prisões devem ser feitas de forma discreta, não só para os ricos e
poderosos, mas para toda a população.
“Se tem gente sonegando, mandando dinheiro para o exterior,
cometendo crime financeiro, cadeia neles. Mas eu prefiro o método mais
discreto. Uma polícia em um país civilizado atua com eficiência, inteligência e
discrição. Isso deve valer para o cidadão mais graduado e para o cidadão
comum”, defendeu Jungmann.
O deputado está no Rio de Janeiro para acompanhar as
investigações sobre a morte de três jovens do Morro da Providência, entregues
por militares do Exército a traficantes rivais do Morro da Mineira, no dia 14
de junho.
Pela manhã, a comissão, que também é formada pelos deputados
Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) e Hugo Leal (PSC-RJ), esteve reunida com a
cúpula do Comando Militar do Leste (CML).
Amanhã (11), eles se encontram com
integrantes do Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal,
deputados da Assembléia Legislativa, lideranças comunitárias da Providência e
com os familiares dos jovens mortos.
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