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Brasília - Ainda há no
Brasil uma aplicação em excesso de penas privativas de
liberdade aos menores em conflito com a lei, o que resulta em uma
estrutura altamente dispendiosa para o poder público. Essa foi
conclusão a que chegou a Secretaria Especial dos Direitos
Humanos (SEDH)da Presidência da República, ao fazer um
levantamento dos gastos com as tentativas de recuperação
dos adolescentes.
“Hoje um adolescente internado custa cerca de R$ 4 mil por mês
enquanto no atendimento de meio aberto isso não ultrapassa R$
200,00. O custo social também é menor, porque esse
adolescente que não interna fica menos estigmatizado na
sociedade e tem mais chances de ser aceito na família, na
comunidade e na cidade”, afirmou à Agência Brasil a
subsecretária de Promoção dos Direitos da
Criança e do Adolescente, Cármen Oliveira, presidente em
exercício do Conselho Nacional dos Direitos da Criança
e do Adolescente (Conanda) .
A
aposta do governo para inverter a lógica de punição
é o reforço do Sistema Nacional de Atendimento
Socioeducativo (Sinase), que prevê a
instalação de programas municipais de acompanhamento ao
adolescente que cumpre medida de meio aberto, como a prestação
de serviço à comunidade ou a liberdade assistida.
Investimentos que antes eram direcionados para a criação
de novas vagas de internação seriam transferidos para a
nova modalidade de atendimento.
“É
ali, quando o adolescente comete um delito mais leve e recebe um
acompanhamento de retorno à escola, de inserção
em uma atividade cultural ou esportiva, que estão as chances
de ele interromper essa carreira delitiva e evitar o agravamento do
seu perfil”, defendeu Carmém Oliveira.
O
governo destinou à implementação do Sinase
aproximadamente R$ 500 milhões, constantes no Plano
Plurianual (PPA) de 2008 a 2011. A intenção da SEDH é
aplicar parte do recurso também na criação de
novos programas de atendimento dentro das unidades de internação.
“Queremos
que elas não sejam simplesmente um momento de punição,
com carceragem péssima que deixa adolescentes mais revoltados
e mais direcionados a verem o crime organizado como alternativa de
vida”, argumentou a subsecretária.
A regulamentação
do Sinase se baseia até o momento em uma resolução
do Conanda, mas há um projeto com o mesmo objetivo em
tramitação no Congresso - PL 1627 de 2007 -, sob
relatoria da deputada Rita Camata (PMDB-ES) em comissão
especial constituída. A
expectativa da SEDH é de que a matéria seja votada
até até o final do ano e garanta avanços ao
sistema. “O Sinase ainda não tem uma força de lei
federal, e através dela podemos ter mais compromisso de
financiamento dos três níveis do governo, padronização
dos procedimentos do judiciário para os menores”, explicou
Carmém Oliveira.
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