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10 de Julho de 2008 - 22h59 - Última modificação em 10 de Julho de 2008 - 22h59


Presidente da OAB no Pará critica governo do estado por crise na Santa Casa

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

 
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Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Belém (Pará) - Presidente da OAB do Pará, Ângela Sales, denuncia que o governo estadual deu mais verbas para a Assembléia Legislativa, que para a saúde pública do estado
Belém (Pará) - Presidente da OAB do Pará, Ângela Sales, denuncia que o governo estadual deu mais verbas para a Assembléia Legislativa, que para a saúde pública do estado
Belém - A presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Pará, Ângela Sales, disse hoje (10), em Belém, que faltam recursos para a saúde pública do estado. Segundo ela, essa é uma das causas da crise enfrentada pela Santa Casa da cidade. Para Ângela, o governo do estado não faz a distribuição dos recursos orçamentários de forma responsável.

Durante audiência pública realizada na Santa Casa, com a presença de uma comissão de seis senadores e da secretária de Saúde do estado, Laura Rosseti, a presidente da OAB acusou a administração estadual de ter repassado mais verba para a Assembléia Legislativa do que para a saúde pública.

“Cada vida de recém-nascido em Belém valeu menos que um deputado por mês. Façam um levantamento desses valores que essa desigualdade virá à tona. Temos que denunciar que há muitos anos o orçamento do Pará vai mais para manutenção da Assembléia Legislativa do que para saúde pública”, disse Ângela.

Ainda segundo a dirigente da OAB, falta fiscalização dos recursos destinados à saúde no Pará. Ela ressaltou que o estado é o único do país onde a direção dos Conselhos de Saúde estaduais e municipais são definidas pelo governo estadual e também atribuiu essa situação ao problema que veio à tona no mês de junho, quando 13 bebês morreram nos setores de neonatologia da Santa Casa em apenas três dias.

“Quero chamar a atenção de todos para o fato de que aqui no Pará os conselhos de Saúde são impostos. Infelizmente uma das causas do problema da Santa Casa se deve a ausência de um Conselho de Saúde democrático e independente do governo”, acrescentou.

O diretor de imprensa e assuntos sociais do Sindicato dos Médicos do Pará, Luiz Sena, confirmou que a direção dos Conselhos de Saúde de Belém e do Pará é feita por indicação do governo estadual e disse que essa situação já foi levantada pelo sindicato em outros encontros públicos.

“Realmente não há fiscalização da Saúde Pública em Belém que tem quase dois milhões de habitantes e só tem uma maternidade pública”, lamentou.

O diretor da Santa Casa, Maurício Bezerra, avalia que os problemas vividos nos últimos meses são reflexo de uma série de fatores, mas que o debate realizzado na audiência pública vai contribuir para solução em definitivo dos problemas no hospital. “A Santa Casa não minimiza a responsabilidade que tem sobre os fatos ocorridos. O problema é conjuntural e inaceitável e por isso tem que ser corrigido em curtíssimo prazo”, ressalta.

A Santa Casa de Belém é um hospital geral e de ensino que existe há mais de 300 anos. No local, são prestados serviços de clínica básica (médica, pediátrica, cirúrgica e tocoginecologia). Em 2004 foi certificado pelo Ministério da Saúde e da Educação como Hospital Amigo da Criança e atualmente conta com cerca de 2,4 mil servidores, incluindo médicos, enfermeiros e agentes administrativos. Serviços de limpeza são terceirizados.


 


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