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11 de Julho de 2008 - 18h12 - Última modificação em 11 de Julho de 2008 - 18h12


Greve dos petroleiros pode ter reflexos nos preços do petróleo no mercado mundial

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O país poderá deixar de produzir 1,5 milhão de barris de petróleo e 22 milhões de metros cúbicos de gás por dia, caso a greve dos petroleiros prevista para começar na próxima segunda-feira (14) tenha a adesão das 42 plataformas que operam na região da Bacia de Campos, responsável por 80% da produção brasileira.

O diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), Marcos Breda, reconhece que a paralisação pode influenciar nos preços do petróleo no mercado mundial, mas garante que a Petrobras foi avisada sobre a intenção dos trabalhadores.

“Nós conhecemos bem a situação da energia no mundo, particularmente do petróleo, e sabemos que qualquer perturbação no nível de produção dispara os valores. A Petrobras não foi surpreendida por essa nossa reação, ela foi avisada o tempo todo de que poderíamos chegar a esse momento se não avançássemos nas negociações”, diz.

A principal reivindicação dos petroleiros é que o dia do desembarque das plataformas seja considerado como dia trabalhado, e não como folga, como é atualmente. Pelas regras, a cada 14 dias trabalhados, os funcionários têm direito a 21 dias de folga. “Queremos que a Petrobras não considere o dia do desembarque como um dos 21 dias de folga, mas como um dia trabalhado para gerar folga”, explica Breda.

O Sindipetro e a Petrobras ainda não chegaram a um acordo sobre o mínimo que será produzido durante a paralisação para atender à Lei de Greve, que determina uma produção mínima nos serviços essenciais. Representantes da empresa e dos trabalhadores estão reunidos desde a manhã de hoje (11) no Ministério Público do Trabalho em Macaé (RJ) para tentar chegar a um consenso.

Segundo Breda, se o acordo não for estabelecido, a indicação para os trabalhadores será a paralisação total da produção, para que depois sejam negociadas as cotas mínimas.

A previsão é que a greve dure cinco dias, mas o Breda diz que, se a Petrobras oferecer um acordo que agrade aos trabalhadores, as atividades podem voltar ao normal antes do prazo. A última greve do setor foi em 2001, quando os petroleiros pararam suas atividades por cinco dias.

Os trabalhadores dos 12 sindicatos representados pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) também ameaçam parar no fim do mês. Na próxima terça-feira (15), o conselho consultivo da entidade vai se reunir e apresentar uma proposta de greve, que deverá ser aprovada em assembléia pelos trabalhadores.

Neste caso, a reivindicação é pelo aumento na participação dos lucros da Petrobras, que hoje está em 12,5%. O coordenador da FUP, Hélio Seidel, explica que houve um aumento no número de empregados, o que reduziu o valor a que cada um tem direito. “Nosso pleito é que se aumente esse percentual para que se possa fazer uma distribuição melhor”, diz.

A entidade também vai reivindicar melhores condições de segurança e uma maior participação na discussão das mudanças na Lei do Petróleo no Congresso Nacional.

Segundo Seidel, a repercussão do anúncio da greve do Sindipetro já provocou aumento no preço do barril de petróleo no mercado internacional, que hoje chegou a US$ 146, e as conseqüências podem ser ainda maiores. “Ainda não tenho um montante, mas certamente terá impacto”, comenta.



 


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