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Brasília - A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal
(STF), Gilmar Mendes, de conceder pela segunda vez hoje (11) um habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas, repercutiu,
também, no meio acadêmico. Para o conselheiro do Transparência Brasil, David
Fleischer, professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), neste caso, estabeleceu-se “uma luta entre Davi e Golias”,
envolvendo o juiz Fausto de
Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, e o presidente do STF, Gilmar Mendes.
Por duas vezes nessa semana, Daniel Dantas teve
mandados de prisão provisória e preventiva expedidos pelo juiz Sanctis,
que foram derrubados por Gilmar Mendes por pedidos de habeas corpus
impetrados junto ao STF pelos advogados do dono do Banco Opportunity.
“O Gilmar Mendes sabia de antemão que o Daniel Dantas
seria preso. O pedido foi feito há cerca de 15 dias. Ele começou a
espumar, a reclamar, antes da prisão do Daniel Dantas. O interessante é
que ele deu a dica antes da hora, em outra operação realizada pela
Polícia Federal”, afirmou David Fleischer.
Ele também criticou as declarações de Gilmar Mendes
quanto ao modo dos agentes da PF conduzirem a operação. Para Fleischer
não cabe neste caso, por exemplo, as críticas do presidente do STF ao
que denominou “espetacularização” pela Polícia Federal com o uso de
algemas e filmagem da prisão de Dantas.
Outro professor de Ciência Política da UnB, João
Paulo Peixoto, preferiu não entrar no mérito das liminares concedidas
por Gilmar Mendes ao empresário Daniel Dantas. “Não vou colocar em xeque
uma decisão do STF, porque essa é uma decisão individual do próprio
ministro. Trata-se do entendimento dele”, afirmou.
Já no que tange à discussão do uso ou não de algemas
pela Polícia Federal o professor da UnB classifica esse debate, que
envolveu os três Poderes essa semana, de secundário. Acrescentou que,
numa análise que não se limita à visão jurídica de advogados, essa é
apenas uma das questões que envolvem a ação da PF independente da
operação que realize.
Para ele, a “rixa” estabelecida entre o Executivo e o
Judiciário no episódio da prisão de Daniel Dantas é salutar. “Ficou
claro que existe pontos de vistas divergentes entre o ministro da Justiça [Tarso Genro] e o presidente do Supremo Tribunal Federal [Gilmar Mendes]. Isso é bom,
porque estabelece uma fiscalização mútua entre os Poderes, o que é
essencial numa democracia”, disse ele.
Do seu ponto de vista, a Polícia Federal tem o
direito legal de algemar as pessoas, que prende durante suas operações.
“Eu sou pelo republicanismo. Vimos em outras operações da Polícia
Federal os indiciados saírem algemados, inclusive com gravações feitas
pela imprensa. Esse não é o problema. A justiça é para todos. O regime
republicano pressupõe que devemos fazer valer as benesses e os deveres
para todos os cidadãos independente de classe social”, afirmou Peixoto.
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