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Brasília - Ao completar 18 anos, o
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ainda depende de
progressos para garantir a proteção integral de
aproximadamente 62 milhões de crianças e adolescentes
que vivem no Brasil . Na avaliação da
subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria Especial de Direitos
Humanos (SEDH), Cármen
Oliveira, apesar da melhoria da expectativa de vida das crianças
e da redução de 45% na taxa de mortalidade infantil
nesse 18 anos, ainda falta avançar muito, sobretudo
na educação oferecida aos menores.
“O principal desafio que nós temos está na qualidade
do ensino, neste cenário de uma sociedade que tem novas
tecnologias e um mercado de trabalho mais exigente. Temos que avançar por meio do plano de desenvolvimento da educação,
do Prouni, da criação das escolas técnicas, ou
seja, oferecer um horizonte para que esse jovem e adolescente tenha
outros atrativos para sua ascensão social que não seja
apenas os apelos que vêm do crime organizado”, afirmou
Carmén Oliveira, que também exerce no momento a presidência do
Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente
(Conanda).
O quadro dos conselhos de direitos e tutelares revela uma
discrepância entre números e trabalho efetivo. A rede de
conselhos hoje já está presente em 93% dos municípios,
mas uma pesquisa em 2006 pela SEDH constatou condições
de trabalho precárias, com falta de infra-estrutura e
capacitação adequada de conselheiros.
“Não acredito que seja problema de recursos, porque os
investimentos a serem feitos não são tão
dispendiosos assim. Se trata mais de uma superação de
uma cultura socorrista de só intervir em situações
onde a violação de direitos já ocorreu e não
em uma forma de defesa e zelo permanente”, criticou Carmén Oliveira.
Segundo a subsecretária, com investimentos de R$ 30 mil em
cada conselho seria possível viabilizar compra de veículo,
computador, linha telefônica e fax, o que “caberia aos
gestores estaduais e municipais”. A SEDH também prepara uma
nova proposta de legislação para soc conselhos a ser
encaminhada ao Congresso Nacional.
“É um anteprojeto de lei para funcionamento dos conselhos,
com marcos regulatórios importantes como definir o piso
salarial e um calendário único de eleições
em todo o país. Isso nos facilitaria constituir um programa
nacional de formação para novos conselheiros de cada
estado”, ressaltou Oliveira. Por intermédio do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo
(Sinase), o governo pretende incentivar a criação de
núcleos de atendimento municipais - com pedagogos, assistentes
sociais e psicólogos - aos jovens que cumprem medidas medida
de meio aberto, como a prestação de serviço à
comunidade ou a liberdade assistida. Caberia ao núcleo
estimular também uma participação efetiva da
família no processo de recuperação do menor. “A
idéia é acionar toda uma retaguarda de atendimento
dependendo do que for detectado . Ele [o menor] pode ser trabalhado
para reingresso na escola, encaminhamento para profissionalização,
tratamento de saúde. Quando o a adolescente é
acompanhado neste momento, ele tem mais chances de não
reincidir no ato infracional e isso significa menores custos do que a
unidade de internação.”, defendeu Oliveira.
Para a subsecretária, o respeito pleno ao Estatuto Pleno ao
Eca no Brasil também depende de uma mudança cultural da
sociedade, sem qual não se formaria um ambiente favorável
para a reinserção do adolescente em conflito com a lei.
“Há uma cultura do medo, algumas portas se fecham para o
adolescente e a do crime organizado está sempre disponível.
É preciso que a própria sociedade reverta alguns destes
estigmas para que possamos alcançar a diminuição
da violência juvenil e dos assassinatos de adolescentes e
jovens que ainda acontecem nesses 18 anos do ECA “, concluiu
Carmén Oliveira.
Atualizada para correção de edição no primeiro parágrafo.
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