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Brasília - Pré-natal,
amamentação e teste do pezinho estão entre as
conquistas de mães e crianças brasileiras que tiveram a
criação do Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA), em 1990, como um grande aliado. O ECA, que completa 18 anos
hoje (13), listou o direito à saúde como uma das
garantias fundamentais mesmo aos brasileiros que ainda não
nasceram, ao apontar referências diretas à saúde
materna.
“[O
estatuto] é tão amplo que prevê desde a
gestação, a necessidade do cuidado que a gestante tem e
que o poder público tem que lhe oferecer, o direito de ao
nascer ter o registro para ser um cidadão brasileiro, o exame
do pezinho para detectar se tem um problema e se pode ser prevenido
logo. É uma lei com o olhar de mãe, é esse o
olhar que o estatuto tem”, diz a deputada Rita Camata (PMDB-ES),
relatora do projeto de lei que deu origem ao ECA.
Na
avaliação da coordenadora nacional da área
técnica de saúde do adolescente do Ministério da
Saúde, Tereza De Lamare, em 18 anos de estatuto, a garantia
de cuidados desde a gravidez contribuiu para a redução
dos índices de mortalidade infantil e alavancou políticas
de incentivo ao pré-natal e à amamentação.
Os dados mais recentes do Ministério da Saúde revelam
que 99,2% das grávidas que vivem em áreas urbanas e
96,4% das que vivem em zonas rurais realizaram pelo menos uma
consulta pré-natal durante a gestação.
O
aleitamento materno exclusivo até os três meses de idade
atinge 45% dos bebês brasileiros; se consideradas crianças
amamentadas pelo menos uma vez, o percentual chega a 96%. A
mortalidade infantil, que chegou a atingir índices alarmantes,
caiu 44% entre 1996 e 2006. A taxa de mortalidade no país é
de 22 para cada mil nascidos vivos, bem abaixo da média
mundial, de 72 para cada mil.
Nesse
ritmo, segundo a Organização das Nações
Unidas (ONU), o Brasil conseguirá cumprir o quarto Objetivo de
Desenvolvimento do Milênio, de reduzir em dois terços as
mortes de crianças até cinco anos de idade no período
de 1990 a 2015.
No
entanto, Tereza De Lamare reconhece que as políticas de saúde
ainda têm muito a avançar, especialmente em relação
a ações direcionadas a adolescentes. “Temos muitos
desafios, acho que a questão da violência é um
dos maiores. E violência em todos os aspectos, desde a que
acontece dentro de casa à violência social. É um
paradoxo: estamos conseguindo reduzir a mortalidade infantil, mas os
adolescentes estão morrendo vítimas de homicídio,
mortos à bala, perdendo vidas e um potencial de
desenvolvimento enorme para o país”.
Para o
futuro, a principal conquista a ser alcançada na maioridade do
ECA – na avaliação de De Lamare – é o
reconhecimento das crianças e adolescentes como “sujeitos de
direitos”, cidadãos participantes das políticas que
tratam de suas faixas etárias. “É preciso enxergar o
adolescente como uma pessoa maravilhosa, cheia de energia, com muita
vontades de contribuir, não são 'aborrescentes', estão
num momento muito especial da vida. Temos que compreender
adolescentes e crianças como sujeitos de direitos, ou seja,
eles têm direito a falar, a colocar como estão sentindo
suas aflições, suas angústias. E precisamos
saber ouvir”, aponta.
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