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Brasília - O
Comitê de Monitoramento do Pacto Nacional pela Erradicação
do Trabalho Escravo comunicou hoje (11) que cinco empresas do grupo
José Pessoa foram excluídas, em caráter
definitivo, da lista de signatários do pacto. Trata-se da
primeira ocorrência de exclusão de empresas.
De
acordo com nota pública divulgada pelo comitê, em dois
momentos distintos operações de fiscalização
do governo federal encontraram situações análogas
à escravidão em áreas de responsabilidade das
empresas Agriholding, Agrisul Agrícola Ltda, Companhia
Brasileira de Açúcar e Álcool, Debrasa e
Jotapar.
No
dia 13 de novembro de 2007, a equipe móvel do governo
encontrou 1.011 trabalhadores, a maior parte indígena, em
condições degradantes de serviço na fazenda e
na usina de cana-de-açúcar Debrasa, unidade da Companhia
Brasileira de Açúcar e Álcool (CBAA), em
Brasilândia (MS). A equipe é formada por agentes do
Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público
do Trabalho e da Polícia Federal.
Já
no mês de junho deste ano, 55 trabalhadores foram resgatados no
município de Icém (SP) na Usina Agrisul. Neste último
caso, fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego constataram
servidão por dívida. Em uma mercearia, de acordo com a
nota pública, os agentes encontraram retidos documentos
pessoais de trabalhadores que atuavam na Agrisul.
“No
ano passado, tomamos a decisão de excluir as empresas do grupo
do Pacto Nacional, mas consideramos que, naquela ocasião,
chegamos a conclusão que deveríamos considerar que as
irregularidades poderiam ser corrigidas. No entanto, neste ano, o
grupo móvel do governo encontrou novamente a presença
de trabalho escravo na lavoura de cana-de-açúcar em
empresas do grupo. Por isso, a decisão de expulsar a empresa”,
explicou Andrea Bolzon, coordenadora do programa de erradicação
do trabalho escravo no Brasil da Organização
Internacional do Trabalho (OIT)
De acordo com informações do governo, o grupo de
trabalhadores resgatado na Agrisul teria sido aliciado no Vale do
Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais, para as proximidades da
usina, em São Paulo. Os trabalhadores foram submetidos a
condições degradantes: dormiram no chão e
passaram fome, segundo a nota divulgada pelo comitê de
monitoramento que reúne representantes do Instituto Ethos, da
OIT e da ONG Repórter Brasil.
O
Pacto Nacional reúne 190 empresas, várias de grande porte que
afirmam um compromisso em não permitir trabalho escravo. O
faturamento bruto das empresas do pacto corresponde a 25% do Produto
Interno Bruto (PIB) brasileiro. Entre essas empresas estão a
Vale do Rio Doce, a Petrobras, os grandes supermercados como
Carrefour e Wall Mart, todas as distribuidoras de petróleo,
entre outras empresas.
A
base para o trabalho de monitoramento, de acordo com Andrea Bolzon, é
a “lista suja” divulgada pelo Ministério do Trabalho. “A
'lista suja' é um poderoso instrumento para monitorar as
cadeias produtivas com incidência de trabalho. Sem essa lista é
impossível fazer o monitoramento das empresas”, disse Andrea
Bolzon. Segundo ela, o cadastro de empresas pertencentes ao pacto
funciona como uma espécie de “lista limpa” do trabalho
escravo. “Não poderíamos ter em nosso cadastro um
grupo empresarial no qual agentes do grupo móvel tenham
encontrado escravidão. Isso iria comprometer a credibilidade
do pacto”, destacou a representante da OIT.
O
comitê de monitoramento do pacto comunicou que considerou
insatisfatórias as respostas apresentadas pelo presidente do
grupo José Pessoa de Queiroz Bisneto.
Pessoa,
conforme a nota, teria enviado um comunicado ao comitê
afirmando que as condições encontradas de alojamento
dos trabalhadores haviam sido corrigidas. Pessoa teria reclamado da
atuação da imprensa no caso e acusou a operação
de buscar o espetáculo.
A
resposta de Pessoa foi divulgada pelo comitê. A Agência Brasil também tentou ouvir a empresa, mas a
assessoria de imprensa do grupo não retornou as
ligações. Ao comitê,
Pessoa teria dito ainda que a empresa é a maior empregadora de
mão-de-obra indígena do Mato Grosso do Sul.
De
acordo com a OIT, o trabalho escravo tem presença marcante na
pecuária bovina. A se considerar o número de empresas
com trabalho escravo, 62% estão nessa atividade, a maior parte
localizada nas região de expansão da fronteira agrícola
brasileira.
No
entanto, ao se considerar o número de trabalhadores
resgatados, a cana-de-açúcar tem contribuição
importante. “Isso ocorre porque a mecanização da
colheita da cana-de-açúcar não é
vantajosa para as empresas que acabam utilizando mão-de-obra
escrava”, disse Andrea Bolzon. Outras
atividades que mais contribuem para os índices de trabalho
escravo são a produção de carvão – para
a produção de ferro guza – e na agricultura de soja,
algodão e milho.
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