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Brasília - A publicidade de
produtos infantis dirigida especificamente às crianças
pode ser proibida se o Congresso Nacional aprovar projeto que trata
do assunto. Pela proposta, aprovada nessa semana pela Comissão
de Defesa do Consumidor da Câmara, fica proibido qualquer tipo
de publicidade em rádio, televisão e internet de
produtos ou serviços dirigidos às crianças, entre
7h e 21h. Esse tipo de divulgação deverá ser
dirigida diretamente ao público adulto.
Aprovado em meio às comemorações dos 18 anos do Estatudo da Criança e do Adolescente (ECA), o texto proíbe ainda
o merchandising (publicidade indireta colocada em programas de televisão, com a exposição de produtos) durante programas infantis e
também o direcionamento desse tipo de publicidade por meio de
e-mails, telefone ou celular, além de vetar a sugestão
de que a compra de determinado produto poderá tornar a criança
ou o adolescente superior a seus semelhantes. Crianças e
adolescentes também estarão proibidos de fazer
propagandas. Só serão permitidas publicidades
institucionais ligadas a assuntos como saúde e
educação.
A idéia,
segundo o texto da deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG) aprovado na
Comissão, é evitar que crianças pressionem seus
pais para comprar produtos que, muitas vezes, não têm
condições financeiras de adquirí-los. “A
própria relação entre pais e filhos pode ser
abalada, pois os pais, muitas vezes, não vão conseguir
explicar aos menores o porquê de não poderem comprar o
produto”, diz a deputada em seu voto favorável à
aprovação da matéria.
O texto do projeto
causou indignação nos setores ligados a agências
de publicidade. “Parlamentar precisa parar de pensar bobagem”,
desabafou o presidente do Sindicato das Agências de Propaganda
do Distrito Federal, Fernando Bretas. “Não precisamos ser
tutelados, a sociedade brasileira hoje é madura. A indústria
da propaganda tem instrumentos, como o Conar [Conselho Nacional de
Auto-regulamentação Publicitária], que pode
fazer isso sem ônus para a sociedade e para o governo”,
completou.
Bretas criticou
a proposta, afirmando que é preciso haver uma discussão séria
sobre o assunto. ”O Congresso não precisa ficar aprovando
lei porque um deputado assim ou assado acha. Basta chamar a
sociedade, as entidades que representam a indústria e colocar
o assunto em discussão”, disse Bretas. Ele ainda alertou que os
maiores “perdedores”, caso o projeto seja aprovado, serão
os veículos de comunicação. “As agências
não vão perder porque o dinheiro vai migrar para outros
lugares”, disse.
“O meu olhar é
um olhar na criança e na formação da educação.
Não pensei em fazer isso para castigar um setor da sociedade.
Com certeza o setor vai ter de achar uma outra maneira para
substituir a questão do dinheiro”, rebateu a deputada Maria do Carmo Lara, autora do projeto.
Se, por um lado, o
setor de publicidade e propaganda criticou o projeto, a
regulamentação da publicidade infantil encontrou, por outro, o apoio
de especialistas. O gerente do Núcleo de Qualificação
e Relações Acadêmicas da Agência de
Notícias dos Direitos da Infância (Andi), Guilherme
Canela, é um dos que apóiam a nova regra. “O projeto
gera um debate importante na sociedade a respeito das crianças
que queremos formar, crianças que não serão
superestimuladas por mensagens de consumo ou que tenham outras
preocupações, além de consumir esse ou aquele
produto”, disse. “A proposta não resolve problemas
imediatos, mas passa um recado para a sociedade: não é
bom estimular o consumismo entre as crianças”, completou.
Segundo o projeto, o descumprimento da
determinação poderá acarretar a proibição
de veiculação da publicidade e multa, de acordo com a
gravidade da infração, da vantagem auferida e da
condição econômica do fornecedor. O projeto ainda
responsabiliza, independente de culpa, o fornecedor do produto ou
serviço, a agência publicitária e a mídia
usada para a veiculação. O projeto ainda
será analisado pela Comissão de Constituição
e Justiça antes de seguir para tramitação no Senado.
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