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Brasília - A Câmara dos Deputados inicia a última
semana de trabalhos legislativos, antes do recesso parlamentar de
julho, que começa na sexta-feira (18), com a pauta de votações trancada por três medidas provisórias e
dois projetos de lei com urgência constitucional vencida. O recesso só começa após a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que encontra-se em plenário, pronta para votação.
A primeira MP
a ser votada (a 431, de 2008) reajusta os salários de cerca de 800 mil servidores
federais de 16 carreiras civis e de cerca de 600 mil militares. O parecer da MP já foi lido na semana passada pelo
relator, deputado Geraldo Magela (PT-DF), mas como houve divergências
em relação ao parecer apresentado, o relator ficou de promover
modificações para que a proposta possa ser aprovada na terça-feira (15). O
impacto financeiro do reajuste para este ano é da ordem de R$ 7,56
bilhões, já aprovado pelo Congresso Nacional, por meio de projeto de lei.
O segundo item a ser votado é a MP 432, de 2008, que trata da
renegociação das dívidas dos produtores rurais. A proposta do governo objetiva
renegociar R$ 75 bilhões dos R$ 87 bilhões das dividas rurais. Se aproada, a MP vai facilitar a liquidação das dividas contraídas nas décadas
de 80 e 90, concedendo descontos para a liquidação antecipada,
reduzindo os saldos devedores. A MP está sendo relatada pelo deputado
Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que deverá apresentar projeto de lei de
conversão. A bancada ruralista considera a medida “tímida” para
atender aos produtores rurais. Além disso, ainda não há acordo para
aprovação da proposta.
A terceira MP a ser votada (a 433, de 2008) concede alíquota
zero do PIS/Pasep e da Cofins para a importação e comercialização de
farinha de trigo, do trigo e do pão comum. A proposta também isenta o
transporte de cargas de trigo e de farinha do pagamento do Adicional ao
Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). Com a medida, o governo
pretende contribuir para conter a alta de preço de alimentos.
Votadas as três MPs, os deputados poderão iniciar a
apreciação dos dois projetos de lei, que estão também obstruindo a pauta
de votações. O primeiro projeto a ser votado cria a carreira de
Desenvolvimento de Políticas Sociais no Executivo e cargos na
Superintendência da Seguros Privados (Susep) e transforma outros cargos
na Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). A nova carreira terá 2,4
mil cargos de analista técnico de políticas sociais encarregados do
planejamento, execução e monitoramento de programas.
O último projeto a ser votado para destrancar a
pauta, já foi aprovado pelos deputados, mas como foi alterado pelos
senadores, depende de nova votação da Câmara. A proposta é de autoria do Poder
Executivo e concede sistema diferenciado de tributação para pessoa física
que seja transportador rodoviário autônomo de cargas.
Para tentar votar essas matérias e entrar em recesso
parlamentar com a pauta de votações destrancada, o presidente da
Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), vai reunir-se com os
líderes partidários para tentar um acordo que viabilize a votação
dessas matérias.
Chinaglia deverá fazer um apelo aos parlamentares
para colaborarem com as votações desta semana. Em média, nas últimas
semanas, em razão da obstrução que a oposição vem fazendo, a Câmara
tem votado apenas duas MPs a cada semana.
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