Um tipo de vegetação
típica da Amazônia e com papel fundamental para o equilíbrio do meio ambiente da região. É assim que a pesquisadora
da área de Solos do Projeto Piatam, Eliene Cruz, define os
aningais, espécies quase extintas nas áreas urbanas.
Criado há oito anos, o Piatam é um projeto de pesquisa socioambiental para monitorar as atividades de produção e transporte de petróleo e gás natural oriundos de Urucu (AM). O projeto é executado pela Universidade Federal do Amazonas e reúne cerca de 300 pesquisadores.
"Trata-se de plantas que formam verdadeiras ilhas às margens dos rios e igarapés amazônicos e contribuem para o equilíbrio desses ambientes, filtrando as águas desses rios e oxigenando as terras alagadiças, que, localmente, são conhecidas como áreas de várzea", explicou Eliene ao definir os aningais.Na capital amazonense, onde muitas
famílias constituíram suas casas às margens de igarapés,
essa vegetação sofreu forte impacto e sua sobrevivência ficou ameaçada.
Segundo Eliene, os aningais precisam de
um olhar diferenciado para garantir a continuidade da espécie.
"Por conta do crescimento populacional e da ocupação
desordenada de áreas onde essas plantas vivem, elas acabaram
sofrendo um processo de diminuição. Apesar de serem
da região e contribuírem para o equilíbrio do
meio ambiente amazônico, ainda não há uma
política de preservação para cuidar da espécie", lamentou.
Os aningais também servem de "berçário" para os peixes. "Os estudos comprovam que os aningais foram uma das primeiras vegetações a se instalarem no meio ambiente amazônico e por isso têm mais facilidade de adaptação à região e realizam uma verdadeira série de trabalhos que colaboram para o equilíbrio do meio ambiente. Até os filhotes de peixes repousam nessa vegetação", explicou.
A secretária de Meio Ambiente de Manaus, Luciana Valente, ressaltou que o congresso é o mais importante sobre arborização urbana do Brasil.Luciana lembrou que a importância de tratar do assunto em um evento nacional está relacionada à troca de experiências e à preservação da espécie. "Todas as regiões do país têm seus sistemas ecológicos próprios e, mesmo que não haja aningais em outras áreas do país, é importante divulgar e trocar experiências sobre os sistemas que são próprios de cada região. Isso irá colaborar para a preservação dessas espécies", disse.