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Brasília - Epidemias como a da
dengue, no Rio de Janeiro, e a morte de mais de 200 bebês desde
o início deste ano ano na Santa Casa de Misericórdia do
Pará, em Belém, são sintomas de um problema
estrutural na saúde pública do país. A afirmação
foi feita hoje (14) pela médica sanitarista Lígia
Bahia, em entrevista ao programa Noticias da Manhã, da
Rádio Nacional.
Segundo Lígia Bahia, que é
professora do Laboratório de Economia e Política da
Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), neste
momento, está sendo feito um esforço para reverter a
situação, mas, para tanto, foi preciso que ela se
tornasse quase uma calamidade.
“Um genocídio aconteceu no Pará e
só depois foram tomadas medidas para reverter a situação”,
afirmou a médica. Para Lígia, isso caracteriza uma
situação de subdesenvolvimento no que diz respeito à
saúde. De acordo com ela, o Brasil tem conhecimento suficiente
para evitar que essas tragédias ocorram na dimensão
que assumem no país.
A professora disse que a primeira medida a ser
tomada em uma situação de crise é fechar
imediatamente qualquer sinal de epidemia, e não ficar com
demagogia em torno da possibilidade de ser um caso isolado ou de não
ser uma epidemia. “Isso sempre retarda as medidas, inclusive as que
não são mais as preventivas para evitar que novos casos
ocorram”, garantiu.
Ela apontou, entre as medidas pontuais
necessárias, o controle mais rígido da segurança
da gestão das ações de saúde e a
disponibilidade de recursos. O problema é que o Brasil não
tem indicadores de saúde compatíveis com o
desenvolvimento econômico do país, e a saúde não
tem a prioridade que deveria ter para o governo, afirmou.
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