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Brasília - Ao relembrar as
discussões e a participação do Brasil na reunião
de cúpula do G8 – grupo dos sete países mais
industrializados do mundo e a Rússia, ocorrido no Japão
na última semana – o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva disse hoje (14) que fez questão de ressaltar aos
parceiros presidentes a necessidade de a questão ambiental deixar
de ser discutida de forma “genérica”.
O presidente destacou, durante o programa semanal de rádio Café com o Presidente, que 64% das florestas
brasileiras estão “intocáveis”, enquanto um estudo mostra que dos 28 bilhões de toneladas de gás carbônico emitidas na
atmosfera em 2005, os Estados Unidos, sozinhos, foram responsáveis por 21% e a China, por 18%.
De acordo com Lula, o
Brasil possui 85% de energia elétrica “limpa”, além
de um estoque de 46% de energia renovável. Ele lembrou que o
país já usa 25% de etanol na gasolina
comercializada e 2% de biodiesel no óleo comercializado - na verdade, são 3% desde 1º de julho, segundo resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
“E as pessoas não querem discutir números. Eu quero
discutir números, porque o Brasil, neste aspecto, é um
dos países que menos polui. Os países que estão se
industrializando agora têm menos responsabilidade. Senão,
fica um debate genérico, os ricos tentando jogar a culpa em
cima dos pobres, dizendo que os biocombustíveis são
responsáveis pelo preço dos alimentos e pela poluição.”
A segurança alimentar, segundo Lula, também é discutida genericamente pelos líderes do G8. Ele acredita em uma “especulação do
alimento” e, ao rebater as acusações que recaem sobre
os biocombustíveis, questionou qual o real custo do petróleo
nos preços dos alimentos. Lula
comentou ainda a recém-aprovada lei de imigração
européia e destacou que
“coisas que são do interesse do Brasil e de outros países
mais pobres” também deveriam ter entrado na pauta de
discussões da cúpula. Segundo ele, a União
Européia tem aprovado, cada vez mais, leis que dificultam a
vida dos imigrantes pobres.
“Fiz questão de dizer pra eles [líderes de Estado]
que quero que os brasileiros tenham, no exterior, o tratamento que
nós damos aqui aos estrangeiros. O que nós queremos é
que os brasileiros lá fora sejam tratados com respeito,
levando em conta a questão dos direitos humanos, e não
tratados como se fossem delinqüentes.”
Atualizada para acréscimo de porcentagem correta de biodiesel no óleo comercializado.
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