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Campinas (SP) - A sustentabilidade do
biocombustível brasileiro, questionada por críticos
internacionais do etanol de cana-de-açúcar, depende da
escala a ser adotada pela política de expansão da
produção e de investimentos em tecnologia para alcançar
aumento da produtividade sem expandir a área cultivada. A
avaliação foi apresentada hoje (14) por pesquisadores
em debate durante a 60ª Reunião Anual da Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
Na avaliação
do pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia
(Ipam), Paulo Barreto, é preciso “menos propaganda e mais
ciência” por parte do governo brasileiro na definição
de estratégias sustentáveis de produção
de cana-de-açúcar para fins energéticos.
“O governo argumenta
que há poucas áreas de plantio de cana na Amazônia,
isso realmente é um fato, mas é preciso considerar os
efeitos indiretos, como o avanço da pecuária sobre a
floresta por causa da substituição de pastagens por
lavouras de cana em outras regiões do país”, apontou.
Barreto acrescentou
que, se o aumento da produção de etanol for feito às
custas de novos desmatamentos, o ganho ambiental pela substituição
de combustíveis fósseis será reduzido.
“Estudos
mostram que seriam necessários 45 anos de cultivo de
cana-de-açúcar para neutralizar as emissões
causadas por esses desmatamentos. Isso destrói a vantagem
comparativa do etanol e significa que, em curto prazo, gera aumento de
emissões do efeito estufa”, argumentou.
Já o pesquisador
e professor da Universidade de São Paulo (USP), Marcos
Buckeridge, alertou que “a Amazônia está seriamente
ameaçada sim” se o ritmo do avanço de “invasão”
da floresta não for compatível com o avanço nas
pesquisas para aumento da produtividade dos biocombustíveis,
entre eles o etanol de cana.
Segundo Buckeridge,
o Brasil é considerado atualmente um exemplo de
sustentabilidade do ponto de vista energético, visto
como a “locomotiva energética do planeta”, mas precisa
conciliar preservação e desenvolvimento tecnológico
para manter essa posição.
“Se quisermos nos
tornar a potência ambiental que podemos ser no futuro, teremos
que achar caminhos para produzir bioenergia e, ao mesmo tempo,
preservar a biodiversidade”, defendeu.
A sustentabilidade dos
biocombustíveis é um dos temas centrais da reunião
da SBPC, que este ano discute Energia, Ambiente e Tecnologia.
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