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Rio de Janeiro - Embora admita que a
possibilidade da flexibilização da atividade da
exploração de urânio no país o presidente
da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício
Tolmasquim, disse que isso não é “uma prioridade de
governo” e, por isto mesmo, a decisão não deverá
sair mais este ano.
A flexibilização
que vem sendo debatida pelo grupo interministerial que estuda a
retomada do Programa Nuclear Brasileiro. A atualmente, a produção
de urânio é uma exclusividade da Indústrias
Nucleares do Brasil (INB).
Em entrevista à
Agência Brasil, Tolmasquim afirmou que hoje a discussão
está mais centrada na viabilização do
enriquecimento do urânio, cujo ciclo o país já
detém; na retomada das obras de construção de
Angra 3, prevista para 1º de setembro próximo; e na
definição do local das quatro usinas que serão
construídas no país até 2030. Essas unidades
aumentarão em cerca de 4 mil megawatts (MW) a capacidade de
geração do parque nuclear brasileiro.
“Esse é um dos
tópicos em estudo na agenda que vem sendo discutida pelo grupo
liderado pela Casa Civil da Presidência da República [a
flexibilização], mas não é prioritário”.
Para Tolmasquim, apesar
de a flexibilização ser uma “possibilidade” em
estudo, não está no foco do trabalho. “É uma
decisão que não deverá ser tomada este ano,
porque exige mudança constitucional, o que significa que teria
que ser feita uma PEC [proposta de emenda à Constituição],
e nós estamos em ano de eleições. Por isto mesmo
não acredito que isto seja possível”.
Na avaliação
do executivo da EPE – empresa ligada ao Ministério de Minas
e Energia, responsável pelo planejamento energético do
país – o mais importante, no momento, é que o país
viabilize a planta de enriquecimento de Urânio, cujo ciclo já
domina.
“O Brasil tem a
tecnologia do enriquecimento, mas tem que transformar esta tecnologia
em uma Planta Industrial. Os planos são no sentido de que até
2010 cerca de 60% de todo o urânio usado em Angra 1 e 2 já
esteja sendo enriquecido no país”, afirmou.
Em em entrevista no
final da semana passada, no Rio de Janeiro, o ministro de Minas e
Energia, Edison Lobão, disse não acreditar que a
decisão sobre a flexibilização da atividade de
exploração de urânio seja tomada neste ano.
“Nós não
chegaremos a uma decisão sobre essa questão este ano,
mas seguramente no próximo. Há a idéia de se
permitir que a iniciativa privada explore o urânio, que, no
entanto, será processado por um órgão do governo
federal, uma vez que nós desejamos enriquecer o urânio
aqui mesmo no Brasil”, afirmou.
Lobão disse que
a lei estabelece monopólio estatal da exploração
do urânio, mas ressaltou que há uma flexibilização
na própria lei. “Não vai se abrir mão
totalmente do controle deste monopólio. Mas apenas permitir
que a iniciativa privada participe da atividade – desde que sob o
controle do estado”, esclareceu – também em entrevista à
Agência Brasil.
Ele adiantou que a
idéia é adotar algo semelhante à Lei que
flexibilizou o monopólio do petróleo e lembrou que o
urânio é hoje vendido livremente no mundo. “A própria
Vale o faz e acabou de vender uma partida no Canadá”,
informou.
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