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Brasília - O
presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, negou hoje (15) que
a autoridade monetária tenha sido omissa em relação
ao Banco Opportunity, investigado pela Polícia Federal. Em
audiência pública no Senado, Meirelles afirmou que cabe
ao Banco Central analisar “criteriosamente a saúde
financeira da instituição e tomar providências a
tempo e a hora” para evitar problemas no sistema.
Meirelles disse que a atuação
da Polícia Federal e do Ministério Público é
relacionada a ações da pessoa física e, “muitas
vezes, não tem nada que ver com a instituição
financeira”.
Segundo ele, é de
responsabilidade do Banco Central normatizar e fiscalizar apenas o
sistema financeiro, o que inclui os bancos. “Quem normatiza e
fiscaliza os fundos de investimento é a CVM [Comissão
de Valores Mobiliários]. Isso é definido por lei.”
Além disso, o Banco Central
não pode divulgar informações referentes a
processos administrativos que move contra instituições.
“O Banco Central tem normas de sigilo bancário que tem que
seguir e não pode divulgar informações de
processos administrativos ou sigilosas obtidas na instituição
financeira."
As informações sobre
processos administrativos só vão a público
quando a instituição financeira recorre ao Conselho de
Recursos do Sistema Financeiro. “Nesse momento, é publicada
a informação sobre os processos que estarão em
julgamento”, explicou.
De acordo com Meirelles, o repasse de
informações para a Polícia Federal e o
Ministério Público depende de decisão judicial.
Para ele, “há perfeita sintonia entre o Banco Central e a
Polícia Federal”.
O presidente da Comissão de
Assuntos Econômicos do Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP),
entretanto, não considerou clara a resposta do presidente do
Banco Central. “Vejo dois cenários preocupantes: ou exagero
da Polícia Federal, porque prendeu toda a diretoria do banco
[Opportunity] ou omissão do Banco Central e da Comissão
de Valores Mobiliários. Essa questão precisa ser
devidamente esclarecida – não foi esclarecida hoje pelo
princípio do sigilo bancário.”
Mercadante lembrou, porém, que
no processo que tramita na Justiça, o Banco Central vai ter
que se posicionar claramente e dizer se houve gestão
fraudulenta, uso abusivo de paraíso fiscal, sonegação
de informações. “O país precisa dessa
informação com rigor e a Justiça, também.”
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