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Brasília - O projeto de lei, que
institui o piso salarial de R$ 950 para professores da rede pública,
será sancionado amanhã (16) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, para
o Conselho Nacional de Secretários de Educação
(Consed), alguns pontos do projeto são inconstitucionais e precisam ser
revistos. A principal reclamação é sobre a
necessidade de reajustar os salários dos profissionais ainda
em 2008, além do pagamento retroativo a janeiro, previsto na
lei.
“Da forma como ficou
aprovado ele [o projeto] coloca um efeito retroativo a janeiro
e, tanto pela Lei de Responsabilidade Fiscal, quanto pela Lei de
Diretrizes Orçamentárias (LDO), despesas novas não podem ser criadas no ano em curso. Como o governo cria uma despesa, que não
foi prevista, e não tem amparo legal?”, questiona a
presidente do Consed, Maria Auxiliadora Rezende. Segundo Auxiliadora,
a União Nacional dos Dirigentes Municipais (Undime) também
defende a revisão desses pontos e já entregou um
documento formal ao ministro. Pelo projeto, estados e
municípios, que hoje pagam menos de R$ 950 aos profissionais,
devem arcar com um terço dessa diferença ainda em 2008.
Serão aplicados reajustes anuais até janeiro 2010, data
em que todos os professores devem receber o valor integral. Segundo Auxiliadora, o
Consed já está fazendo um estudo e calcula que as
folhas de pagamento aumentarão esse ano, em média, de
20 a 25%. De acordo com a secretária de Educação
Básica do Ministério da Educação (MEC),
Maria do Pilar, é provável que o projeto seja modificado, antes da sanção.
“Provavelmente o
artigo será revisto, porque há uma clara
incompatibilidade entre os preceitos legais em aprovar uma lei, que
provoca aumento de gastos para um orçamento que já está
em execução. Havendo inconstitucionalidade, o presidente
[da República] poderá vetar esse ponto”, disse, em entrevista à
Agência Brasil. Pilar ressaltou que o piso nacional é
uma “grande conquista” na valorização da carreira e
importante para atrair bons profissionais para as escolas.
“É claro que
existem alguns problemas para implementação e o MEC
está muito aberto para discutir isso. Nós temos uma
comissão, em que há representação de
secretários estaduais e municipais e do ministério, e
vamos conversar para que seja possível implementar o piso, sem
que isso provoque uma inviabilização da gestão”,
garantiu Maria do Pilar.
Para o presidente da
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação
(CNTE), Roberto Leão, o texto “vale como está” e as
entidades não podem questioná-lo, porque foram ouvidas
durante a tramitação do projeto. “Tudo isso foi
negociado. O projeto tramitou com essa redação, na Comissão
de Constituição e Justiça, que é a
encarregada de fazer a leitura sobre o âmbito da
constitucionalidade da matéria. Esse projeto vem tramitando há
muito tempo e foi construído em conjunto com Consed e Undime”,
defendeu Leão.
Para a presidente do Consed, não é o mérito da matéria que está sendo posto em dúvida. “Nós não
estamos avaliando a questão do mérito, nós
estamos discutindo a questão formal e legal do gestor, que vai
ter que corresponder por isso. A gente concorda que é preciso
ampliar o salário para R$ 950, mas esse valor ainda é pouco para atrair
bons profissionais para o magistério. Nós queremos
muito mais, mas não para anteontem”, justificou ela.
Além do
pagamento retroativo e a implementação de parte do
aumento ainda em 2008, Auxiliadora questiona outro artigo da
lei, que deverá engordar as folhas de pagamento.
O projeto estabelece que um terço da carga horária do
professor deve ser reservado para atividades fora de sala de aula,
como planejamento e coordenação. Mas, uma resolução
anterior do Conselho Nacional de Educação, estabelece
que esse tempo deve variar entre 20% e 25% da carga total. Com mais
tempo de atividades fora de sala, as redes terão que contratar mais professores para compor o quadro.
"Tempo de atividade em sala é uma questão de carreira. O projeto é para definir um piso nacional. Na medida em que ele começa
a entrar na autonomia de cada estado e município, ele invade um espaço que não é dessa legislação regular", afirma Auxiliadora.
Quando o piso foi
aprovado pelo Senado, o ministro da Educação garantiu o
complemento da União aos estados e municípios que não
puderem pagar o piso aos profissionais. Segundo Haddad, esses
recursos seriam passados via Fundo da Educação Básica
(Fundeb). Mas, de acordo com a presidente do Consed, a lei não
é clara quanto à participação da União.
“Será que a
União vai complementar [o pagamento do piso] retroativo a janeiro? Como será
resolvida essa questão orçamentária da União?
O Fundeb não é complementação para esse
fim”, indicou Auxiliadora. Pilar defendeu que a participação da
União tem aumentado e o MEC fará um estudo dos impactos
da aprovação do piso nos municípios e estados,
para viabilizar o piso. “A intenção da lei não
é quebrar os estados e município”, disse Maria do Pilar.
A matéria foi alterada para correção de informação
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