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Rio de Janeiro - Mesmo defendendo a
flexibilização da exploração de urânio
para a iniciativa privada, o presidente da Associação
Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Francisco Rondinelli, concorda
com o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE),
Maurício Tolmasquim. Esse não é o ponto central
a ser definido agora pelo grupo que estuda a retomada do Programa
Nuclear Brasileiro.
“É necessária,
mas nós ainda temos questões prévias que
precisam ser definidas. É o caso, por exemplo, da questão
do enriquecimento do urânio, cujo ciclo nós já
dominamos em sua plenitude”.
Segundo Rondinelli, as
centrífugas já estão sendo produzidas e estão
sendo instaladas as primeiras cascatas na unidade da INB [Indústrias
Nucleares do Brasil], em Rezende, no Rio de Janeiro”.
Para ele, porém,
este processo precisa ser acelerado. “É preciso fazer a
equação financeira desse projeto para que ele possa não
sofrer nenhum atraso maior, em função de problemas
orçamentários”.
Priorizar a conclusão
da instalação da unidade industrial (planta de
enriquecimento) é uma questão de política de
governo, na avaliação do presidente da Aben.
“É preciso
priorizar e acelerar o projeto de implantação da planta
de enriquecimento de urânio no país, porque a tecnologia
nós já temos e também temos o combustível.
É então uma questão de decisão de
governo. É preciso começar a produzir para atender
Angra 1 e 2 e estarmos preparados para atender a Angra 3”, avaliou.
Quanto à
abertura da atividade de exploração do urânio à
iniciativa privada, no entanto, Rondinelli acha necessário,
primeiro, que se defina um modelo a ser seguido.
“No momento em que
tivermos um quadro melhor definido sobre o verdadeiro potencial do
país e um modelo definido, aí sim podemos discutir em
detalhes a flexibilização. A verdade é que,
segundo nossas estimativas, podemos pular da sexta para a segunda
maior reserva de urânio no mundo”.
Segundo Rondinelli, é
preciso caminhar para a definição do modelo que o país
quer realmente seguir e trabalhar junto com a iniciativa privada.
“Vamos ver as parcerias que podem ser feitas. Um exemplo é
Santa Quitéria – parceria da INB com a empresa Galvani para
atuar como parceira na exploração de urânio da
reserva, localizada no Ceará, onde o minério se
encontra consorciado ao fosfato”.
Para ele, o contrato de
Santa Quitéria é quase uma flexibilização
sem a necessidade de mexer na legislação atual, no
monopólio nem na questão que rege a exploração
e a produção. “Como a concessão já era
da INB, ela fez uma parceria com a iniciativa privada para explorar o
minério e cada um fica com a sua parte. Só que lá
não é uma jazida de urânio: é de bauxita e
ferro, mas também coma presença de urânio”.
Na avaliação
da Aben, o contrato envolvendo INB e Santa Quitéria já
foi um avanço e é um modelo que, se seguido, poderá
permitirá abrir a participação à
iniciativa privada. “Mas é claro que o pessoal [empresários
privados] vem com um interesse muito grande, uma vez que o urânio
é um combustível com forte demanda mundial,
supervalorizado, e os países que podem participar deste
mercado de US$ 20 bilhões anuais despertam o interesse do
setor”, finalizou.
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