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Brasília - Todo a polêmica criada em torno dos 97 cargos que os
senadores da Mesa Diretora pretendiam criar, sem a realização de
concurso público, poderia ter sido evitada se a própria Casa fosse mais
ágil na apreciação das propostas em tramitação. Desde 2005, está parada
na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabelece o concurso como única possibilidade
para o ingresso no serviço público.
A obrigatoriedade de contratação para o serviço público somente por meio de concurso público,
pela PEC, abrange cargos nas três esferas de governos - federal,
estadual e municipal. Há, entretanto, a ressalva para a livre nomeação
de ministro de Estado, governador de território, secretários estaduais
e do Distrito Federal, de territórios, de prefeituras ou chefe de
missão diplomática temporária e seus respectivos substitutos legais.
De autoria do primeiro vice-presidente do Senado, Tião
Viana (PT-AC), a PEC ainda aguarda a nomeação de um relator na CCJ para
dar início às discussões. O hoje governador do Rio de Janeiro, Sergio
Cabral Filho (PMDB), ainda chegou a ser designado para relatar a
matéria. Eleito em 2006, a PEC voltou à estaca zero e, há dois anos
aguarda que o presidente da comissão, Marco Maciel (DEM-PE), designe
novo relator.
Em tese, por se tratar de uma emenda à Constituição,
a matéria uma vez aprovada na Comissão de Constituição e Justiça iráia direto para a apreciação em plenário, ao contrário de projetos de lei,
que ainda têm que passar pelo crivo de várias comissões temáticas.
O senador Tião Viana reconhece que a Emenda Constitucional 19,
de 1998, representou um avanço no sentido de criar mecanismos para
coibir o abuso nas contratações por meio de cargos em comissão. O fato de a
emenda não esclarecer claramente as exceções, que abrem caminho para
nomeações comissionadas, possibilitou, de acordo com Viana, "muito ao
estilo do jeitinho brasileiro, a criação de inúmeras fórmulas de burla
à Constituição".
A matéria foi alterada para correção do cargo do senador Tião Viana.
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