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16 de Julho de 2008 - 18h21 - Última modificação em 16 de Julho de 2008 - 19h20


Lula diz que houve "insinuação" sobre saída de Protógenes

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desmentiu hoje (16) a versão de que o afastamento do delegado Protógenes Queiroz do comando da Operação Satiagraha ocorreu por pressão da cúpula da Polícia Federal. Para Lula, houve “insinuação” sobre o motivo da saída do delegado.

“Quem contou essa mentira, de que ele foi pressionado, eu espero que amanhã ou depois de amanhã desminta. Eu sou talvez o mais fervoroso defensor da atuação da Polícia Federal, porque ela é uma garantia para o combate à malversação, à corrupção, ao narcotráfico, ao crime organizado no País. Por isso eles são bem remunerados e no nosso governo melhoramos muito a situação da Polícia Federal”, disse o presidente aos jornalistas, após sancionar o projeto que cria um piso salarial nacional para professores da educação básica, no Palácio do Planalto.

Lula defendeu ainda que o delegado continue à frente das investigações. Segundo ele, se o delegado não quiser continuar no cargo deve se pronunciar publicamente para não “vender insinuação” de que foi obrigado a se afastar. Protógenes deixou o comando ontem (15). Conforme justificativa apresentada pela assessoria da Polícia Federal, o próprio delegado pediu para deixar o caso para fazer um curso em Brasília. Mas matérias publicadas pela imprensa trazem a versão de que o delegado saiu do caso pressionado pela direção da PF.

O presidente afirmou que já pediu ao ministro da Justiça, Tarso Genro, que entre em contato com a PF, para que o delegado volte ao caso.

“A Polícia Federal deve estar divulgando uma nota de uma reunião que ele [Protógenes Queiroz] participou, uma reunião que foi gravada com o consenso de todo mundo, em que ele pede para sair. E depois vender a idéia de que ele foi afastado. É, no mínimo, uma atuação de má-fé. Eu não sei se ele falou ou não. Eu li na imprensa que tinha acontecido isso. Então, moralmente, ele tem que ficar nesse processo até terminar o relatório, a não ser que ele diga publicamente, que de livre e espontânea vontade, que ele não quer [ficar no comando da operação]”, disse Lula.

“Esse cidadão não pode, depois de fazer uma investigação de quase quatro anos e depois de apurar, depois de fazer todas as coisas que foram feitas no processo, na hora de finalizar o relatório esse cidadão dizer: 'eu vou embora fazer o meu curso e [vou] deixar [o comando da operação] para outro' e ainda dar vazão para insinuação de que ele foi tirado”, disse o presidente Lula.

De acordo com o presidente, não se pode vender insinuações para a sociedade. “O que ele disse é que só poderia terminar no fim de semana [o relatório sobre a operação]. Isso é um processo sério. Envolveu gente, as pessoas foram para a televisão. É preciso que a pessoa tenha logo o relatório definido para que se peça ou não o indiciamento dessas pessoas. A única coisa que nós queremos nesse caso é responsabilidade. Não pode fazer um trabalho, como o que ele fez durante quatro anos e na hora que tem que entregar o relatório, simplesmente fala que vai embora. Tem que ficar no caso”, justificou o presidente Lula.

Protógenes foi alvo de críticas de que teria cometido exageros na operação, como permitir uma emissora de televisão acompanhar a ação policial. O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, por exemplo, foi filmado sendo preso de pijamas em casa.

 


 


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