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Brasília -
O acesso ao
microcrédito produtivo e a inclusão dos trabalhadores
da economia informal no sistema produtivo formal estão sendo
discutidos hoje (16) no 3º Seminário do Programa Nacional
de Microcrédito Produtivo Orientado. Segundo o secretário
executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, André
Figueiredo, o programa tem como principais desafios a inclusão
de mais beneficiários e a captação de recursos
para apoio ao segmento, com taxas de juros facilitadas.
Figueiredo
disse que, no encontro, poderão surgir idéias para
elaboração de proposta que será enviada ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva para inclusão
desse programa de microcrédito "em algum tipo de
atividade produtiva do Bolsa Família".
Ele informou que o Ministério do Trabalho
está preparando o primeiro banco de dados do setor informal
beneficiado pelo Programa Nacional de Microcrédito Produtivo
Orientado, que permitirá monitoramento permanente sobre o
trabalho realizado e também sobre o que precisa ser feito para
ampliar essa rede.
Já o assessor da Secretaria
Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da
República Carlos Savio destacou a necessidade de "resgatar
os trabalhadores da economia informal, mas com desenvolvimento e
justiça". De acordo com Sávio, parte da
informalidade configura fraude para com o sistema tributário
legal e, por isso, a inclusão social desses trabalhadores é
necessária para que o segmento deixe de ser uma calamidade
social.
Sávio defende o apoio aos pequenos produtores
pelos bancos de desenvolvimento estaduais e a criação
"de uma espécie de Embrapa Industrial" para apoiar
pequenos empreendimentos. Ele citou um ponto da reforma trabalhista
sobre a desoneração da folha de pagamento, com a
vinculação das contribuições tributárias
das empresas sobre o faturamento, como forma de melhorar o mercado de
trabalho no país. Apontou, entretanto, o peso das taxas de
juros como “um sério agravante” para o desenvolvimento de
atividades empreendedoras.
O diretor de Cooperação
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mário
Theodoro, lembrou que 90 milhões de trabalhadores compõem
a população economicamente ativa do país, sendo
que 10% da força de trabalho está desempregada, A cada
ano, é necessário criar 2 milhões de postos de
trabalho para os que estão entrando no mercado, disse
Theodoro. Dentro desse quadro, o emprego informal "acaba sendo
mais uma solução do que um problema", destacou.
De acordo com Theodoro, a partir da década de 90,
muitos trabalhadores informais ascenderam à classe média,
entre eles os que usaram o dinheiro recebido de programas de demissão
voluntária (PDVs), para desenvolver alguma atividade
lucrativa. Para ele, a causa da informalidade é a
desigualdade, e a inclusão deve ser feita com proteção
social e legislação trabalhista compatível.
Theodoro identifica entre as causas da pobreza a forma como
foi abolida a escravidão no Brasil. Ele lembrou que, na
Inglaterra, no Século 19, esse regime foi trocado pela
concessão de salários aos escravos e que, no Brasil,
depois da Lei Áurea, a mão-de-obra passou a ser dada a
imigrantes europeus. A situação no Brasil tornou-se
precária porque a questão fundiária também
ficou muito concentrada, e continua problemática, acrescentou
Theodoro. Ele acredita que o microcrédito "pode
direcionar o trabalho informal para o lado melhor, se for canalizado
de forma selecionada e concedido a longo prazo, permitindo que se
quebre a correia da transmissão da desigualdade"".
O
representante do Centro de Apoio ao Pequeno Empreendedor da Bahia,
José Nélio Monteiro, afirmou que é difícil
acabar com a informalidade no Brasil porque sempre se coloca na
frente dessa idéia o objetivo da arrecadação.
Para ele, é preciso refletir sobre a criação de
regras para saber o que é legitimidade e legalidade na
questão.
Monteiro considera inadequado o marco
trabalhista atual e lembra a necessidade de parâmetros
coerentes com a realidade social das pessoas que trabalham na
informalidade. Além disso, defende a aquisição
de cidadania pelos trabalhadores que estão na informalidade e
o acesso deles a a tecnologias apropriadas para estimular sua
produção e seus serviços.
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