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Brasília - Assim como ocorre com
os brasileiros que buscam uma situação financeira
melhor nos Estados Unidos, também na Europa é
expressivo o número de migrantes que não têm documentos, tanto em
Portugal, onde a migração já é mais
antiga, quanto nos destinos mais recentes, como Espanha e Inglaterra,
ou mesmo na Itália, onde grande parte dos imigrantes
brasileiros são descendentes de italianos.
“No
caso da Europa, a grande maioria de brasileiros que estão lá é migrante irregular, eles não têm a
permissão de trabalho ou mesmo o visto para uma permanência
mais longa do que aqueles três meses que são conhecidos
como o visto de turista”, diz o professor Duval Fernandes, da
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
(PUC-MG).
Com um nível de instrução
que, em geral, é superior ao da média no Brasil, os
brasileiros que buscam os países europeus ainda almejam um
salário melhor. Segundo Fernandes, um dos principais projetos dos migrantes é
conseguir dinheiro para construir sua casa própria ou abrir um
negócio no Brasil, e “caso ele consiga ficar mais de dois,
três anos, conseguir a permissão de trabalho e aí
ter a sua situação regularizada”.
Mas isso não quer dizer que
todos os brasileiros vêem a Europa como um lugar para se viver, de fato. Como exemplo, o professor cita a resposta que uma senhora
brasileira deu ao ser questionada sobre o que era para ela morar na
Espanha: “Aqui a gente vem para ganhar dinheiro e ficar
trabalhando; para viver, eu tenho que ir para o Brasil, porque aqui
eu não tenho vida, só trabalho e ganho dinheiro”.
De acordo com o professor, além
da irregularidade migratória, um dos principais problemas
enfrentados pelos brasileiros é a discriminação,
em diversos setores da sociedade européia. “Em um
levantamento que nós fizemos, vimos que, por exemplo,
praticamente 40% das pessoas que são impedidas de entrar em
Portugal são brasileiras e evidentemente os brasileiros não
são 40% das pessoas que descem nos aeroportos.”
No entanto, ele ressalta que não
há muito o que o governo brasileiro possa fazer para mudar
esse quadro. Com isso, o que se destaca como demanda dos migrantes é a melhoria do atendimento consular, como o aumento do tempo
de expediente. Fernandes afirma que ainda falta uma postura do governo,
“de ver que o Brasil não é um país mais de
imigração, é um país de emigração”.
No que diz respeito à nova
lei de imigração aprovada na União Européia,
o professor acredita que ela só vai começar a ser
aplicada em 2010. Para ele, pode haver, sim, alguma redução,
ou um desestímulo à migração. “Mas nós
devemos lembrar que a legislação americana é
muito pior do que essa, e mesmo assim brasileiros estão
tentando chegar aos Estados Unidos, até atravessando de
maneira ilegal o México”.
Duval Fernandes destaca também
que o retorno de brasileiros que não são aceitos na
Espanha, que ganhou a mídia brasileira nos últimos
meses, já vinha sendo percebido desde 2007, e só começou
a chamar a atenção porque o país começou a devolver também pessoas de classes média e alta.
O professor diz que essa é
uma situação comum a vários países, com
pessoas de várias nacionalidades, e se tornou patente na
Espanha porque o número de brasileiros que vivem lá tem crescido. Segundo ele, esse aumento é de 30% ao ano, "talvez uma das maiores
taxas de crescimento de todas as comunidades de estrangeiros na
Espanha”.
De acordo
com o professor, outro destino que tem sido muito procurado é
a Inglaterra. “O sonho de consumo do brasileiro europeu é ir
para a Inglaterra e trabalhar lá.”
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