



|
Campinas (SP) - Apenas 30% das
pesquisas sobre a Amazônia têm a participação
de pelo menos um pesquisador com residência no Brasil. O dado
foi apresentado hoje (16) pelo pesquisador do Instituto de Pesquisas
da Amazônia (Inpa) Adalberto Luís Val durante a 60°
Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência.
“Se soberania hoje é informação,
esse é o tamanho da soberania que temos sobre a região.
Temos que fixar recursos humanos na Amazônia, o que vai
proporcionar a retaguarda para uma ação na Amazônia
confiável, justa, sustentável, que é o que
precisamos”, apontou Val, ao defender a necessidade urgente de
aumentar a quantidade de doutores na região como uma questão
estratégica para o desenvolvimento do país.
O
pesquisador, que participou de encontro com parlamentares da Comissão
da Amazônia, Integração Nacional e de
Desenvolvimento Regional, detalhou a proposta da Academia Brasileira
de Ciências (ABC) – entregue recentemente aos ministros do
Meio Ambiente, Carlos Minc, da Ciência e Tecnologia, Sergio
Rezende, e de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger
– para impulsionar o desenvolvimento científico e
tecnológico na região e atrair pesquisadores de alto
nível para a floresta.
Com pequeno aumento do
percentual dos investimentos para ciência e tecnologia, Val
defende que é possível formar pelos menos 2,1 mil novos
doutores na região até 2011 e expandir o número
de universidades e centros de pesquisa na Amazônia.
“A
Amazônia ocupa quase 60% do território brasileiro e
responde por 7,8% do Produto Interno Bruto do país. Mesmo
assim, os recursos em ciência e tecnologia para a região
são apenas 2% do total nacional. A Amazônia é uma
questão nacional, não pode ser tratada isolada do
desenvolvimento do país como um todo”, argumentou.
A presidente da
Comissão da Amazônia, Integração Nacional
e de Desenvolvimento Regional, deputada Janete Capiberibe (PSB-AP),
afirmou que a proposta da ABC contará com o apoio político
do Congresso Nacional e defendeu a adoção de novos
parâmetros em ciência e tecnologia para a Amazônia
para reduzir as desigualdades regionais da produção de
conhecimento do país, com respeito às “características
peculiares” da região.
“Essa biodiversidade
da Amazônia tem que trazer distribuição da
riqueza para as comunidades tradicionais, indígenas,
quilombolas, mulheres agricultoras, parteiras, castanheiras e
pescadores. Enfim, a população como um todo”,
ponderou.
|
|