As negociações da Rodada Doha que serão realizadas na próxima
semana em Genebra (Suíça) são a última chance para o Brasil e outros países produtores agrícolas
conseguirem um acordo favorável à abertura dos mercados. A
avaliação foi feita hoje (16) pelo professor de Relações Internacionais da Universidade de
Brasília (UnB) Virgilio Arraes, em entrevista à Rádio Nacional.
“Porque em 2009, se houver um presidente democrata e com a
França como representante da União Européia, certamente significará o fracasso
de quase sete anos de negociações representadas na Rodada Doha”, explicou o
professor.
Virgílio afirmou que
como em 2009 a França se torna representante da União Européia na Organização Mundial do Comércio (OMC), “as condições para uma maior abertura não
serão possíveis”. "O presidente Sarkozi já deu sinais que não vai se
inclinar tão favoravelmente à abertura do mercado agrícola como o representante
inglês tem feito até agora.'
A possível vitória do democrata Barack
Obama nas eleições para a presidência dos Estados Unidos também pode ser um fator que
dificultará as negociações de 2009 em diante, na opinião de Arraes. “Os
democratas são mais protecionistas do que os republicanos”, afirmou.
Para Virgílio Arraes, o melhor momento para negociar um bom
acordo sobre a exportação de produtos agrícolas na OMC é agora. “A partir de agosto, a campanha eleitoral nos Estados Unidos
se intensifica e o presidente Bush
provavelmente vai se dedicar mais aos assuntos partidários, em prol do
senador Mcain (candidato republicano) do que questões externas comerciais”,opinou Arraes.
O professor ressaltou a importância do Brasil como “um
porta-voz dos países agrícolas no âmbito da Organização Internacional do
Comércio”, por ter se destacado no agronegócio nos últimos anos e ser o maior
produtor mundial de biocombustíveis.