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Rio de Janeiro -
O
ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse
hoje (17) que, “tecnicamente”, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola
estava certo ao dizer que não era foragido, já que saiu
formalmente do país, segundo as leis brasileiras. Barbosa
ressaltou, no entanto, que é preciso esperar para saber que
entendimento a Justiça terá do fato.
“Vários gestos nossos têm
diversos significados. Fazer algo no nosso convívio social
pode significar uma coisa e, para a Justiça, pode significar
outra totalmente diferente. Não estou prejulgando, estou
apenas dizendo que várias leituras podem ser feitas a partir
de tomada de posições, de iniciativas das pessoas”,
afirmou o ministro, que participou, no Rio, da 1ª Conferência
das Comunidades Brasileiras no Exterior, organizada pelo Ministério
das Relações Exteriores.
Cacciola, que foi condenado à
revelia no Brasil, em 2005, a 13 anos de prisão por gestão
fraudulenta e desvio de dinheiro público, foi preso no ano
passado em Mônaco, de onde foi extraditado. Ele chegou no
início da manhã de hoje (17) ao país e foi
levado para a sede da Polícia Federal, no Rio, onde afirmou,
em entrevista, que não estava foragido, uma vez que saiu do
Brasil "oficialmente, com passaporte".
Ainda durante o evento, Barbosa disse
que, como cidadão, tem um sentimento “muito parecido” com
o da maioria dos brasileiros, em relação à
decisão do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, que
concedeu por duas vezes habeas corpus garantindo liberdade ao
banqueiro Daniel Dantas. Dono do Banco Opportunity, Dantas havia sido
preso dias antes pela Polícia Federal, acusado de comandar uma
organização envolvida em corrupção,
lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação
fiscal e formação de quadrilha.
“Como cidadão, o sentimento
que eu tenho é muito parecido com o da grande maioria dos
cidadãos brasileiros; como ministro, não posso
comentar, porque terei de decidir, provavelmente em breve, sobre as
decisões do presidente do Supremo Tribunal Federal”, afirmou
Joaquim Barbosa. “Uma coisa é o meu sentimento e outra são
as decisões que eu, como ministro, tomo.”
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