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Brasília - O tom usado pelo
ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, hoje (17) ao se referir aos usineiros de Pernambuco indica que o governo pretende continuar
com medidas duras e intensa fiscalização sobre a
cultura da cana-de-açúcar no estado. Minc aproveitou a entrevista
coletiva na qual anunciou medidas para agilizar o processo
de licenciamento ambiental para mandar um
recado aos usineiros: “Vai aqui um recado para
Pernambuco: Não há intocáveis.”
O alerta foi dado duas semanas depois que o Ministério do Meio
Ambiente adotou medidas contra a destruição do bioma
Mata Atlântica em Pernambuco. As usinas de cana-de-açúcar
foram o principal alvo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na Operação Engenho
Verde.
“Ninguém teve ainda coragem de desafiar usineiros.
Nós aplicamos mais de R$ 120 milhões em multas. Vamos
continuar agindo e com mais rigor. Não vai ter moleza”,
avisou o ministro.
A Operação
Engenho Verde autuou as 24 usinas de cana-de-açúcar
de Pernambuco. Em todas elas, o Ibama constatou a inexistência
de licença ambiental. Os donos dos engenhos também
foram autuados e terão que responder a ação
civil pública, para reparação dos danos
ambientais, e a representação criminal.
Em decorrência do
desmatamento, Pernambuco passou a ser o estado com o menor índice
de áreas preservadas do bioma Mata Atlântica. “Enquanto
a média nacional é de 8%, o índice pernambucano
é de 2,7%. Ou seja, Pernambuco desmatou um terço do
quase nada”, criticou Minc.
Outra atividade que
receberá atenção redobrada do Ministério
do Meio Ambiente será a extração de carvão
nas regiões do Pantanal e do cerrado. Carlos Minc disse que
não haverá tolerância com os criadores de gado na área da floresta amazônica.
“Vamos continuar com as ações de embargo. Os bois não
são piratas. Piratas são os corsários que se
dizem donos dos bois”, ironizou.
Quanto ao setor elétrico, o ministro foi enfático: “Não
haverá nenhuma licença para nenhuma usina que não
tenha a adoção de uma reserva ambiental”, afirmou.
Ele enfatizou
ainda que o Ibama ficará mais exigente com os estudos de impacto ambiental que são apresentados em todas as áreas.
“Os estudos chegavam com péssima qualidade, e a conta caía
no colo do nosso quadro técnico. Isso não será
mais assim. A orientação, no caso de um estudo de má
qualidade, é a de sequer receber e dar número. Se o
estudo estiver sem condições, vai voltar para ser
refeito. Começa a contar o prazo somente quando houver um
estudo em condições adequadas.”
O ministro informou que também serão reformulados os padrões de
emissão de gases aceitos pelo Brasil. “Em menos de dois
meses, chegarão ao Conama [Conselho Nacional de Meio Ambiente]
propostas para tornar mais rigorosos os padrões de emissão.
Em relação à emissão de alguns gases e efluentes
industriais, como dióxido de enxofre e oxido de nitrogênio,
nossos padrões são quatro a cinco vezes mais
complacentes que os padrões europeus, por exemplo”, afirmou
Minc.
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