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Rio de Janeiro e São Paulo - A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp) criaram hoje (17) um grupo de trabalho para discutir o
impacto da inflação sobre os preços dos produtos e, conseqüentemente, sobre as perdas no poder de compra dos trabalhadores.
O ato foi oficializado em
um encontro realizado na sede da Fiesp, em São Paulo, em que reuniram-se dirigentes das
duas entidades.
“Quem mais sofre com a inflação são as famílias pobres, que vêem sua
renda ser suprimida diante dos reajustes de preços dos produtos da cesta
básica”, observou o presidente da Central Única dos
Trabalhadores (CUT) de São Paulo, Edílson de Paula.
Para o líder sindical , representantes
dos trabalhadores, do governo e da classe empresarial devem criar uma
sistemática de debates para avaliar a real necessidade de reajuste dos preços
dos produtos da cadeia alimentícia e de outros produtos. “Queremos questionar o
por quê dos reajutes e onde estariam ocorrendo”, disse.
No evento, a CUT encaminhou a Fiesp um estudo
realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Sócio-Econômicos (Dieese), que eleva a projeção de inflação, para este ano, para 6,5%. Além disso, a entidade levou aos empresários um documento enumerando ações
para a redução no ritmo do aumento dos preços.
Entre as propostas da CUT está a possibilidade de desonerações fiscais
sobre os itens alimentícios, como a que ocorreu no caso do trigo. Com a
falta do fornecimento da Argentina, o Brasil teve de recorrer à importação do
cereal produzido no Canadá e nos Estados Unidos, pagando um preço mais elevado.
Na avaliação do líder sindical, a desoneração de gêneros alimentícios seria uma forma até de se encontrar uma saída
para evitar a corrosão dos ganhos salariais.
Outra questão defendida pela CUT é retomar a proposta, apresentada em 2005, de uma participação das empresas e dos trabalhadores no
Conselho Monetário Nacional (CMN). Hoje, o conselho é composto pelos ministros da Fazenda e do
Planejamento, e também pelo presidente do Banco Central.
É o CMN que define as metas de
inflação que servem de parâmetro para o Comitê de Política Monetário (Copom) na hora
de estabelecer a taxa básica de juros, a Selic.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, destacou a importância da iniciativa das entidades representantivas dos trabalhadores, afirmando que a sociedade precisa
envolver-se nas questões monetárias do país. “A inflação é um tema importante e
a sociedade tem que entrar neste debate. Nós [as entidades empresariais] também temos que
estar juntos”.
Segundo Skaf, daqui a 15 dias o grupo deve reunir-se
novamente para debater o que foi proposto e decidir o rumo
das discussões.
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