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Rio de Janeiro - A baixa participação dos brasileiros que vivem no
exterior nos processos eleitorais do país representam um “nítido
problema a ser resolvido”. A avaliação é do ministro Joaquim Barbosa,
vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, dos
cerca de três milhões de cidadãos brasileiros nesta situação, apenas 130
mil exerceram o direito do voto, nas últimas eleições, em 2006.
“Há milhões de brasileiros no exterior, mas quando
olhamos aqueles que participam do processo político é praticamente
desprezível o número. Há uma sub-representação da cidadania de quem
vive no exterior”, afirmou. O ministro Joaquim Barbosa participou hoje (17), no Rio de Janeiro, da
1ª Conferência das Comunidades Brasileiras no Exterior, organizada pelo Ministério das Relações Exteriores.
De acordo com o ministro, essa questão, que se coloca para as
autoridades brasileiras, é um problema recente, "já que o Brasil é
tradicionalmente um país de imigrantes e não de emigrantes". Ele
acredita que, por esse motivo, o Poder Público ainda não tomou medidas
importantes para resolver a situação.
“Outro problema que teremos que enfrentar no seu
tempo é como e quando daremos representação política a esses
brasileiros [que vivem no exterior]. Não só para que votem nas eleições presidenciais, mas para
que participem como pessoas suscetíveis de serem eleitas”, acrescentou o ministro Joaquim Barbosa.
O ministro lembrou o projeto de lei, de autoria do
senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que tramita no Senado, prevendo que
esses brasileiros sejam representados no Congresso Nacional por
deputados federais eleitos por eles. “Teremos que nos debruçar sobre o problema para saber de que maneira isso poderá ser operacionalizado e implementado”, afirmou o ministro.
Segundo Cristovam Buarque, que também participou do
encontro no Rio, o projeto está pronto para ser aprovado pelo Senado há
sete meses, mas esbarra na vontade política e na votação de medidas provisórias. “O projeto é simples e traz para o Brasil o que há em
vários países. São deputados que representarão os brasileiros que moram
no exterior. Sem custo extra para o Congresso, eles passariam a ter
representatividade aqui dentro”, afirmou.
O senador explicou que, embora não defina no texto,
quantos deputados seriam, ele sugere quatro, que representariam os
brasileiros nas seguintes regiões: Estados Unidos, Europa, Japão e
América Latina.
“Quando o Brasil começou, o deputado vinha para a
capital, que era aqui, no Rio de Janeiro, de navio. Agora tem a
internet e muitos mecanismos que permitem essa comunicação direta
[entre eleitores e políticos]", afirmou Buarque.
Mais cedo, durante a abertura do encontro, o ministro
das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que a emigração de
brasileiros se tornou uma questão política e defendeu a evolução das
negociações da Rodada Doha como medida importante, capaz de reduzir
os fluxos migratórios de países em desenvolvimento para os países
ricos.
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