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Brasília - O preço do pão, um
dos primeiros vilões a pressionar a alta dos preços e a elevação crescente da inflação, deve sofrer uma
redução de 4% neste ano. A previsão é do presidente da Associação
Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), Sérgio Amaral.
Segundo ele, os preços ainda não baixaram porque as medidas adotadas pelo governo, de
desoneração tributária e a redução a zero da tarifa de importação - o
que permitiu comprar o cereal proveniente dos Estados Unidos e do Canadá - ainda não
produziram o efeito final para o consumidor.
Amaral afirmou que as padarias, quando as medidas foram anunciadas,
trabalhavam com estoques, comprados a preços anteriores às mudanças.
“Como resultado dessas medidas, a farinha de trigo baixou entre 10% e
12%. Os pães também estão baixando de preço”, disse.O presidente da Abitrigo lembrou ainda que a produção
brasileira de trigo está aumentando. Segundo dados divulgados hoje (17) pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção do cereal aumentou em 65,3%, em 2007, na comparação com o ano anterior, com
um volume de 4,1 milhões de toneladas.
Dados da Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab) indicam que a produção de trigo aumentou 71% na safra
2007/08, em comparação à anterior, com um volume de 3,8 milhões
de toneladas. Para a próxima safra, que está no fim do plantio, a
estimativa da Conab é de crescimento de mais 35%, atingindo 5,3 milhões
de toneladas.A quantidade, no entanto, não é suficiente para atender o consumo interno do
grão, que é de 10,2 milhões de toneladas por ano. Entretanto, para
Amaral, o Brasil não deve ter a preocupação de se tornar
auto-suficiente na produção de trigo, mas sim, de melhorar a qualidade e a
quantidade da produção.
"A idéia não é nos concentramos em termos auto-suficiência
em todos os campos. Devemos nos concentrar naquilo que somos os
melhores", opinou. Amaral explicou a importância da importação de trigo pelo Brasil, que é garantir o abastecimento. "A Argentina, nesse momento, não tem a capacidade para
exportar o que tinha prometido. Não podemos correr o risco do
desabastecimento", observou. Por isso, o presidente da Abitrigo defende que se mantenha a
redução das alíquotas de importação para permitir a compra do grão produzido em outros
países. O presidente da Abitrigo disse que a entidade quer que o governo mantenha
a suspensão do adicional de frete para o Fundo de Renovação da
Marinha Mercante, tributação
retirada por um período de seis meses, até novembro.
"Seria bom que fosse mantido
porque, se voltar, evidentemente vai ter um peso sobre os preços",
afirmou. Amaral defendeu ainda que se avalie a possibilidade de reduzir o adicional do transporte de
cabotagem, que é feito na costa brasileira. "Porque sai mais
barato exportar trigo de Buenos Aires para o Ceará, do que vender o
trigo do Rio Grande do Sul para o Ceará, porque o nosso transporte de
cabotagem é muito caro", explicou.
Para ele, os benefícios previstos na Política
Industrial para estimular a Marinha Mercante brasileira são
suficientes, não sendo necessário o adicional de frete. "É muito
razoável que se tire esse adicional de frete porque ele só faz
encarecer o comércio dentro do Brasil e, certamente, é uma fonte de
inflação".
Nesta semana, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes,
criticou a eficiência da Marinha Mercante e a cobrança do adicional de 25% do frete no preço da importação.
Amaral lembrou que a alta do preço do trigo foi
influenciada pelo mercado internacional e pelas incertezas em relação à
importação do produto da Argentina. Atualmente, o Brasil depende das
importações para abastecer o mercado interno.
Hoje (17), Amaral reuniu-se com os ministros do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, para pedir
que as medidas de desoneração sejam mantidas. "E com isso, o setor quer
dar uma contribuição ao esforço de todos para combater a inflação e
para impedir que o pão volte a ter um outro aumento", argumentou.
Amaral também comentou sobre a decisão do Senado argentino de não aprovar projeto de lei que aumenta os impostos cobrados para
exportação de grãos. "Isso mostra uma divisão grande no governo, mostra
que continuará a haver uma grande incerteza do fornecimento de trigo
pela Argentina ao Brasil. Quando não há previsibilidade no
abastecimento, evidentemente há uma pressão sobre preços". O presidente da Abitrigo disse ainda que o empresariado do setor está buscando uma integração da
cadeia produtiva para "antever as dificuldades, tomar providências para
evitar os problemas, aumentar a eficiência, reduzir preços e melhorar a
qualidade dos produtos.”
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