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19 de Julho de 2008 - 10h17 - Última modificação em 19 de Julho de 2008 - 10h17


Barco da Previdência atende população ribeirinha na Amazônia

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Um projeto que leva a Previdência Social a quem mora longe dos postos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi reconhecido recentemente pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como um exemplo de experiência inovadora para a inclusão. O PrevBarco viaja até as comunidades ribeirinhas da Amazônia para o atendimento e a concessão de benefícios da Previdência Social. Esta semana, representantes da OIT e do Ministério da Previdência visitaram o município de Saure, na Ilha de Marajó (PA), para conhecer o projeto.

“A gente sabe que na Amazônia a estrada é o rio. Existe uma programação com datas fixas e as comunidades se prepararam para receber o PrevBarco. Em alguns lugares a chegada inclusive é motivo de festa”, conta o gerente regional do INSS, André Fidelis.

Atualmente, três barcos trabalham no projeto que já existe há cinco anos, mas só ganhou a agilidade necessária nos últimos meses, com o atendimento online. A internet chega via satélite e permite que a concessão de benefícios seja realizada no próprio barco. “O que acontecia antes é que esses barcos passavam nas comunidades, pegavam a documentação, montavam o processo e depois de alguns meses tinham que retornar para dar resposta ao segurado”, explica Fidelis.

Os serviços oferecidos são os mesmos de uma agência fixa: salário-maternidade, pensão por morte, benefícios assistenciais, aposentadoria por idade e tempo de contribuição, entre outros. Os barcos realizam ao ano no Pará cerca de 17,4 mil atendimentos com cerca de seis funcionários por barco. De acordo com o coordenador do PrevBarco no estado, Francisco Feio, são cerca de 80 pessoas atendidas por dia nos municípios. O salário-maternidade e a aposentadoria rural são os mais solicitados.

“O problema é que muitas vezes a gente não tem médico para a perícia, o que poderia agilizar muito o atendimento”, aponta Francisco. Ele também reclama que em alguns municípios a equipe não conta com o apoio da prefeitura para facilitar os atendimentos e muitos benefícios deixam de ser concedidos por falta de documentação.

Suzi Souza, 25 anos, moradora de Saure (PA), foi até a agência móvel representando os pais para obter informações sobre a concessão de benefícios. “Minha mãe quer se aposentar por tempo de serviço e o meu pai teve um derrame, então a gente está tentando os benefícios”, conta. Segundo Suzi, a viagem até a capital Belém para ter acesso aos serviços da Previdência é inviável para a maioria.

“Só acho que eles ficam muito pouco tempo [em cada cidade], poderiam ficar mais porque é muita gente e aí infelizmente não dá para atender todo mundo”, defende a jovem. Os barcos ficam em média uma semana em cada município.

Segundo Fidelis, até o fim de 2008, o número de barcos atuando na região deve subir para 11. Novos contratos estão encaminhados, além de parcerias com embarcações da Marinha e o governo do estado do Amazonas. “A gente gostaria de voltar às comunidades em um menor espaço de tempo. Como são diversas comunidades, com quilometragens altíssimas e a velocidade do barco não é rápida, não dá para voltar tantas vezes”, lamenta.

Além da inclusão social, Fidelis destaca o caráter econômico do projeto. “Hoje o ministério tem uma participação nessas comunidades maior do que o Fundo de Participação dos Municípios. A gente com certeza dá um resultado socieconômico de fundamental importância para a sociedade”, avalia.

 


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